O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, chega a Israel neste domingo (18) com a esperança de impulsionar um novo acordo na Faixa de Gaza, em um momento em que o Hamas rejeita o que chama de imposições de Washington nas negociações.
Esta é a nona viagem de Blinken ao Oriente Médio desde o início da guerra, há mais de dez meses, desencadeada na Faixa de Gaza após um ataque do Hamas no sul de Israel em 7 de outubro.
Blinken se reunirá na segunda-feira (19) com dirigentes israelenses antes que as negociações para um acordo de trégua entre Israel e Hamas sejam retomadas durante a semana, no Cairo, capital do Egito.
Os países mediadores, Estados Unidos, Qatar e Egito, acreditam que há progresso nas tratativas, após uma primeira rodada de dois dias em Doha. O presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou na sexta-feira que o acordo estava “mais perto do que nunca”.
A facção terrorista, porém, já havia declarado que não aceitaria as novas condições. Sami Abu Zhuri, membro do gabinete político do Hamas, também afirmou que “dizer que estamos nos aproximando de um acordo de trégua é uma ilusão”, em comunicado enviado à AFP. “Não estamos diante de um acordo ou negociações reais, mas sim da imposição de regras americanas”, disse Zhuri.
Antes de Blinken partir na noite de sábado para Tel Aviv, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, pediu “uma forte pressão” sobre o Hamas para alcançar um avanço.
Os esforços diplomáticos para uma trégua em Gaza também buscam reduzir a tensão no restante do Oriente Médio.
O Irã e seus aliados, entre eles o Hezbollah, anunciaram que vão reagir à morte do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em um ataque aéreo em Teerã, capital iraniana, no dia 31 de julho.
Um dia depois do ataque que matou o líder do Hamas, o governo de Israel anunciou também a morte do chefe da ala militar do grupo terrorista da Faixa de Gaza. Mohammed Deif morreu, segundo o Estado judeu, em um bombardeio feito em meados de julho a Khan Yunis.
As duas incursões elevaram o tom da crise local para uma situação que pode se ampliar para uma guerra regional.
O plano apresentado por Biden no fim de maio, aprovado pela ONU, propõe uma trégua de três fases.
Na primeira, haveria um cessar-fogo completo por seis semanas, a retirada de todas as tropas das áreas habitadas de Gaza e a libertação de reféns sequestrados pelo Hamas em troca de centenas de prisioneiros palestinos. Ao mesmo tempo, passaria a haver um fluxo caminhões de ajuda humanitária entrando no território palestino todos os dias.
Na segunda fase, Hamas e Israel negociariam um fim para a guerra, e o cessar-fogo continuaria em vigor durante essas negociações. A terceira fase consistiria em um plano de reconstrução do território palestino.
A guerra provocou uma situação humanitária desastrosa no território palestino, com deslocamento da maioria dos seus 2,4 milhões de habitantes.
Nesta sexta (16), duas áreas no oeste de Khan Yunis, dentro do que havia sido designado como zona humanitária, foram indicadas como não seguras para civis. O Exército de Israel ordenou que a população deixasse o local, alegando que membros do Hamas estavam disparando foguetes da região.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) afirmou que as ordens de sexta também incluíam outras áreas fora das zonas humanitárias, afetando cerca de 170 mil pessoas.
“Esta é uma das maiores ordens pedindo deslocamento de civis na zona até o momento e reduz o tamanho da chamada ‘área humanitária’ para cerca de 41 quilômetros quadrados, ou 11% da área total da Faixa de Gaza”, disse um relatório da OCHA.
Também na sexta, um bombardeio israelense contra um prédio residencial em Nabatieh, no sul do Líbano, matou pelo menos dez pessoas, incluindo duas crianças, e feriu outras cinco, de acordo com um comunicado do Ministério da Saúde do governo em Beirute. Todos os mortos eram cidadãos sírios. O Exército de Israel disse que seu ataque foi dirigido a instalações usadas por combatentes do Hezbollah.
A reação militar de Israel após os ataques de 7 de outubro deixou 40.074 mortos e 92.537 feridos na Faixa de Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. Israel perdeu 330 soldados em Gaza e afirma que pelo menos um terço dos palestinos mortos eram combatentes da facção.




