Kamala tem razão em ver traços fascistas em Trump – 25/10/2024 – Mundo

Kamala tem razão em ver traços fascistas em Trump -


Em 23 de outubro, Kamala Harris disse que considera Donald Trump um fascista. John Kelly, ex-chefe de gabinete do republicano, recentemente afirmou que o empresário “se encaixa na definição geral de fascista”. Mark Milley, um general aposentado que chefiou o Estado-Maior das Forças Armadas no governo Trump, é mencionado em um novo livro chamando o ex-presidente de “fascista até o âmago”.

Tudo isso reacendeu um debate que começou durante a candidatura de Trump à Presidência em 2016: ele é um fascista? O que significa o termo? Aplicá-lo a Trump ajuda a explicar os perigos que ele representa?

Fascismo era a ideologia do Partido Nacional Fascista, fundado por Benito Mussolini, o ditador da Itália de 1922 a 1945. Mas é comumente aplicado aos nazistas e outros regimes autoritários de direita do início do século 20.

As características do fascismo incluem desprezo pela democracia e pelo Estado de Direito; entusiasmo pela violência política e pela guerra; uso de forças paramilitares; ultranacionalismo; anticomunismo; controle estatal sobre a sociedade e a economia privada; racismo e xenofobia; teorias da conspiração e ressentimento das elites; fixação em reverter o declínio nacional; crença mística na vontade do povo; e culto ao líder supremo.

Os estudiosos sempre debateram a quais movimentos autoritários de direita o termo descreve. Fascista se tornou um insulto comum feito por esquerdistas e progressistas à extrema direita, complicando ainda mais a questão.

De certa forma, a política de Trump se assemelha à definição de fascismo elaborada pelos cientistas políticos. A nostalgia do republicano em relação ao movimento Maga (acrônimo para Make America Great Again, lema de Donald Trump em 2016) ecoa o mito nazista de que a Alemanha foi “apunhalada pelas costas” por suas elites durante a Primeira Guerra Mundial.

Seu culto à personalidade hipermasculina, suas lamentações pessimistas e afirmações de que só ele “pode consertar isso” estão na tradição fascista. Assim como sua exploração do racismo contra muçulmanos e migrantes latino-americanos, sua propensão a falsidades grotescas (as “grandes mentiras” amadas pelos propagandistas fascistas) e seu incentivo a teorias da conspiração.

A descrição de Trump como fascista feita por Kamala, assim como as de Kelly e Milley, foca em seu desprezo pelas normas e processos democráticos. Trump foi acusado de tentar obrigar Volodimir Zelenski, o presidente da Ucrânia, a ajudar em sua campanha de reeleição; ele então tentou demitir os promotores que o investigaram.

Mais descaradamente, ele tentou reverter o resultado da eleição de 2020, que havia perdido. E sugeriu que usaria as Forças Armadas dos EUA contra “o inimigo interno”. Segundo Kelly, o ex-presidente também afirmou que queria generais leais a ele, “o tipo de generais que Hitler tinha”.

Alguns especialistas (Jason Stanley da Universidade de Yale, Sarah Churchwell da Universidade de Londres e outros) estavam convencidos desde cedo de que Trump se encaixava no perfil fascista. Outros foram se convencendo gradualmente.

Robert Paxton, um historiador do regime de Vichy na França, mudou de ideia após a insurreição do 6 de Janeiro: o incentivo do então presidente a uma multidão atacando o Legislativo correspondia à maneira como os fascistas dos anos 1930 ganharam poder canalizando apetites populares por violência.

No entanto, outros permanecem céticos. Trump não dissolveu o Congresso, não baniu a imprensa livre, não nacionalizou indústrias nem tentou transformar os EUA em uma ditadura de partido único.

Ao contrário da maioria dos fascistas dos anos 1930, ele não lançou guerras estrangeiras (apesar de sua retórica belicosa inicial em relação à Coreia do Norte). Os grupos que se revoltaram em seu nome, como os Proud Boys, não empregaram nada parecido com o nível de violência assassina usada pelos camisas negras italianos e camisas marrons alemães dos anos 1930.

Mussolini e Hitler controlavam diretamente esses bandidos; a relação de Trump com os Proud Boys é distante.

Samuel Moyn, também historiador em Yale, acha que usar o termo antiquado fascista interfere nos esforços para encontrar uma melhor formulação para uma campanha do século 21 contra a política ao estilo Maga.

Para muitos americanos, o fascismo está inextricavelmente ligado a Adolf Hitler. Quando os democratas chamam Trump de fascista, muitas pessoas entendem que estão dizendo que ele buscará impor um estado totalitário ao estilo nazista, como aqueles dos filmes de Hollywood.

Para muitos apoiadores de Trump e independentes, isso soa como histeria —e, portanto, é fácil de descartar completamente. Na verdade, é razoável descrever a política autoritária violenta de xenofobia, nostalgia e desprezo pela lei de Trump como uma iteração moderna do fascismo, e se eleito ele pode causar danos permanentes à democracia americana. Mas usar a palavra fascista pode não ser uma boa maneira de convencer os eleitores sobre isso.



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