
Em sessão do Conselho de Segurança, a coordenadora das Nações Unidas para o Processo de Paz no Oriente Médio homenageou as equipes da ONU e todos os trabalhadores humanitários em Gaza.
Sigrid Kaag prestou tributo a um funcionário da ONU morto numa explosão que deixou cinco feridos em estado grave, numa zona que havia sido classificada como livre de conflito.
Ela expressou “profundo alarme” com a retomada dos ataques e pediu o retorno às negociações de cessar-fogo, acesso humanitário desimpedido e libertação imediata e incondicional dos reféns do Hamas.
Segundo fontes israelenses, 59 pessoas seguem em cativeiro, vivas ou mortas, de um total de 251 sequestrados em 7 de outubro de 2023 pelo Hamas e grupos aliados.
Sigrid Kaag enfatizou também que no período de 7 de dezembro de 2024 a 13 de março deste ano, 21 funcionários da ONU foram mortos em Gaza.
Ela reiterou os apelos do secretário-geral por “esforços para acabar com o sofrimento humano”, incluindo mediações para apoiar o fim da guerra e planejar a recuperação e a reconstrução em Gaza.
Palestinos identificam entes queridos que foram mortos em ataques aéreos em 18 de março
Os bombardeios israelenses em Gaza continuaram, pela quarta madrugada consecutiva, desde a ruptura do cessar-fogo na segunda-feira.
Profissionais humanitários da ONU declararam que a situação é grave e que a perda de vidas está acontecendo “em grande escala”. Segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, ligado ao Hamas, 600 habitantes morreram e cerca de 200 são mulheres e crianças.
O vice-diretor sênior da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, disse que a maioria das mortes ocorreu durante a madrugada.
Falando de Gaza, Sam Rose explicou que as forças de segurança israelenses começaram a reocupar o Corredor Netzarim, que atravessa a Faixa de norte a sul.
Em conversa com jornalistas, em Genebra, ele descreveu o impacto prejudicial das novas ordens de evacuação israelenses que afetam 100 mil habitantes, bem como da interrupção de entregas de ajuda humanitária desde 2 de março.
O representante da Unrwa afirmou que este é o período mais longo de restrição de assistência desde o início do conflito em outubro de 2023, após os ataques do Hamas ao sul de Israel.
Rose acrescentou que, se o cessar-fogo não for restaurado, os civis palestinos vivenciarão em perdas e traumas “ainda piores”.
O representante da Unrwa alertou que cerca de 1 milhão de pessoas provavelmente ficarão sem alimentação este mês. Seis das 25 padarias que o Programa Mundial de Alimentos da ONU apoia já fecharam.
Rose vê o risco de um retorno gradual à situação vista nos piores dias do conflito, em termos de saques, agitação, frustração, e condições desesperadoras para a população.
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