Funcionários do Pentágono devem ser processados, diz Musk – 21/03/2025 – Mundo

Funcionários do Pentágono devem ser processados, diz Musk - 21/03/2025


O bilionário Elon Musk afirmou que funcionários do Pentágono que falaram com repórteres do jornal The New York Times devem ser processados, depois de o veículo publicar que Musk seria informado nesta sexta (21) sobre os planos das Forças Armadas dos EUA para eventual guerra contra a China.

“O New York Times é pura propaganda”, disse o bilionário em uma publicação no X nesta sexta. “Além disso, aguardo ansiosamente os processos contra aqueles no Pentágono que estão vazando informações maliciosamente falsas para o NYT. Eles serão encontrados.”

Musk, cujas empresas têm vários contratos com o Departamento de Defesa, reuniu-se com o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, por 80 minutos no Pentágono.

Musk chegou em uma comitiva ao órgão de Defesa pela manhã e rapidamente entrou para se encontrar com Hegseth, que disse no X que as conversas se concentrariam em “inovação, eficiências e produção mais inteligente.”

Ao sair, Musk foi visto brincando com Hegseth e afirmou que a reunião correu bem. “Se houver algo que eu possa fazer para ajudar, gostaria que tivéssemos um bom resultado aqui”, disse Musk ao partir.

O Pentágono é responsável por grande parcela dos gastos do governo federal que Musk trabalha para cortar à frente, ainda que não oficialmente, do Departamento de Eficiência Governamental (Doge). Não está claro se os generais dos EUA previstos na reunião participaram presencial ou virtualmente.

Na Casa Branca após a reunião, o presidente Donald Trump afirmou que não queria mostrar os planos americanos para uma eventual guerra com a China a ninguém e insinuou que haveria um potencial possível conflito de interesses de Musk.

“Eu não quero mostrar isso a ninguém. Mas certamente você não mostraria a um empresário que está nos ajudando tanto”, disse Trump. “Elon tem negócios na China e ele poderia ser suscetível, talvez, a isso.”

Ao lado de Trump, Hegseth, da Defesa, afirmou que teve uma conversa informal com Musk que focou inovação e eficiências. “Não houve planos de guerra, nenhum plano de guerra com a China. Não houve planos secretos”, disse Hegseth.

Após publicação da reportagem do New York Times, uma reunião planejada entre Trump e chefes do Estado-Maior Conjunto em uma sala de reuniões segura no Pentágono, conhecida como “O Tanque”, não ocorreu.

Os primeiros comentários dos envolvidos depois da publicação da reportagem também indicavam que a China não foi mencionada e buscavam descreditar o jornal americano. “A China não será nem sequer mencionada ou discutida”, disse Trump em um post no Truth Social na noite de quinta-feira (20). O New York Times não respondeu a um pedido de comentário da agência Reuters.

Uma autoridade americana, falando sob anonimato, disse à Reuters que o briefing para Musk contaria com a presença de autoridades militares seniores dos EUA no Pentágono e seria uma visão geral sobre vários tópicos diferentes, incluindo a China.

O acesso a um plano militar secreto marcaria uma ampliação do papel de Musk como conselheiro de Trump, muito além de sua tarefa original de ajudar a cortar os gastos do governo dos EUA —ainda que a Casa Branca negue que Musk é membro do gabinete com poder decisório.

O acesso também alimentaria questões sobre conflito de interesses em relação a Musk, que, como dono da Tesla e da SpaceX, tem interesses comerciais na China e com o Pentágono. A Casa Branca já havia dito anteriormente que o bilionário se recusaria a participar caso surgissem conflitos entre seus negócios e seu papel dentro do Executivo.

Embora Musk já tenha vários contratos com o Pentágono, as oportunidades para suas empresas, especialmente a SpaceX, sob o governo Trump, poderiam gerar bilhões de dólares em receita. O planejado escudo de defesa antimísseis de Trump, que poderia exigir centenas de sensores e outros satélites para monitorar mísseis balísticos em aproximação, seria uma combinação natural para a SpaceX e sua unidade Starlink, que fornece conexão via satélites.

Na semana passada, a diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, disse que havia ordenado uma investigação sobre vazamentos de informação de dentro da comunidade de inteligência e que também investiga salas de bate-papo internas para detectar qualquer má conduta por parte dos funcionários.

Durante o primeiro mandato de Trump, seu governo encaminhou mais vazamentos da mídia para investigação criminal a cada ano do que em qualquer um dos 15 anos anteriores no país, de acordo com registros divulgados em 2021 pelo Departamento de Justiça para um grupo de vigilância independente, em resposta a um processo da Lei de Liberdade de Informação, a lei de acesso americana.



Fonte CNN BRASIL

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