O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou nesta terça-feira (25) o vazamento de planos de bombardeio contra rebeldes houthis no Iêmen por meio de um bate-papo em grupo que acidentalmente incluiu um jornalista.
Trump disse à NBC News em um telefonema que essa foi “a única falha em dois meses, e que não foi nada séria”. Ele acrescentou que seu conselheiro de segurança nacional, Michael Waltz, “aprendeu a lição”.
O editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, teve acesso a uma conversa em que as autoridades discutiam a decisão e as ações orquestradas em uma ofensiva contra os houthis, no Iêmen.
Trump já havia se manifestado na segunda (24), quando disse que não sabia do caso. “Não sou muito fã da The Atlantic, para mim é uma revista que está saindo do mercado”, disse. “Ela [a história] não pode ter sido muito efetiva. Porque o ataque [aos houthis] foi muito efetivo, eu posso te dizer isso”, afirmou. “Você está me contando sobre ela pela primeira vez.”
No texto publicado pela revista The Atlantic, Goldberg descreve um grupo de comunicação inapropriado —e possivelmente ilegal— de autoridades do governo americano, como o vice-presidente, J. D. Vance, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
A reportagem de Goldberg remonta como o editor foi adicionado ao “Houthi PC small group” (pequeno grupo Houthi PC) no aplicativo Signal —um serviço de mensagens comumente utilizado por jornalistas e políticos devido a seu alto nível de segurança— onde altos funcionários debateram e decidiram sobre a operação.
Nas trocas de mensagens, segundo Goldberg, estão envolvidos perfis com nomes de pelo menos 18 pessoas. Além do nome do vice-presidente, o jornalista identificou usuários com perfis de Steve Witkoff, enviado de Trump para o Oriente Médio; Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca; e alguém identificado apenas como SM, que, pelo contexto, Goldberg entendeu ser Stephen Miller, conselheiro de segurança interna.
Algumas das informações compartilhadas no grupo foram ocultadas pelo jornalista já que, segundo ele, “se tivessem sido lidas por um adversário dos EUA, poderiam ter sido usadas para prejudicar o pessoal militar e de inteligência americano”.
Depois de publicar a reportagem, Goldberg contou detalhes de como obteve as informações. Segundo ele, integrantes da alta cúpula do governo de Trump foram imprudentes ao compartilhar dados sigilosos no grupo do Signal, no qual o próprio editor foi incluído.
“Foi como um gotejamento intravenoso de informações que ninguém no governo acha que jornalistas deveriam ter”, disse ele em entrevista à newsletter The Atlantic Daily, afirmando que nunca lidou com nada parecido. “Como a maioria dos repórteres, já recebi vazamentos. Um vazamento é algo totalmente diferente. É um denunciante tentando fazer reclamações. Isso aqui é simplesmente imprudente.”
Inicialmente cético quanto à veracidade das mensagens, o jornalista percebeu sua gravidade à medida que os planos ali descritos, supostamente ultrassecretos, começaram a se concretizar. Segundo Goldberg, as mensagens continham coordenadas, horários de ataque e discussões estratégicas que posteriormente foram confirmadas quando os bombardeios de fato ocorreram.
O texto da Atlantic relata cronologicamente desde o convite de conexão enviado por um usuário denominado Michael Waltz —conselheiro de segurança nacional dos EUA—, até o momento em que o jornalista decide sair do grupo.




