Daniel Noboa foi reeleito presidente do Equador no segundo turno deste domingo (13) após uma acirrada jornada eleitoral, afirmou a autoridade eleitoral do país. Com 90% dos votos apurados, o líder de direita tem 55,93% dos votos, ante 44,07% da oposição.
Desdobramento do tenso clima que toma conta do país, a opositora Luisa González, de esquerda, disse que não reconhece os resultados, apontando que houve fraude. “O Equador vive uma ditadura, e hoje vivemos a fraude mais grotesca da história do país”, afirmou ela a apoiadores na capital, Quito. “Pediremos a recontagem dos votos.”
Os números oficiais mostram que o empresário e herdeiro do império das bananas superou a candidata pupila de Rafael Correa e agora sim assumirá um mandato de quatro anos —eleito anteriormente para um governo-tampão, ele governou por mero um ano e meio.
A confortável vantagem do presidente chama a atenção dado que no primeiro turno, em fevereiro, a diferença entre ele e González foi de meros 0,17 ponto percentual. Eles apareciam em empate técnico nas pesquisas de intenção de voto prévias a este domingo.
Mais de 83,7% dos eleitores compareceram às urnas, cifra próxima à de outros pleitos e ligeiramente superior à do primeiro turno.
“Vivemos uma verdadeira festa democrática”, disse a presidente da autoridade eleitoral, Diana Atamaint, que agradeceu às Forças Armadas e aos policiais pelo apoio na jornada e acrescentou: “Os agentes devem permitir que delegados, observadores internacionais e meios de comunicação façam a fiscalização da divulgação dos resultados”.
A proximidade do resultado eleitoral não aplaca o clima de tensão no qual está mergulhado o universo político. Noboa decretou na véspera da votação um novo estado de exceção acompanhado de medidas como restrições a reuniões e a derrubada do direito de inviolabilidade domiciliar, pacote prontamente criticado pelos opositores.
Setores da esquerda dizem que o objetivo seria impedir a mobilização popular nos dias pós-eleitorais, quase que prevendo que havia contestação dos resultados, como ocorre agora.
Governar o Equador pós-pandemia global não é uma tarefa trivial, e os desafios agora são muito diferentes daqueles de uma década atrás. A fragmentação e, por consequência, multiplicação de pequenos grupos armados do narcotráfico impulsionou disputas armadas que catapultaram a violência armada no país.
A violência se tornou o tema fundamental para a população: afeta a economia ao fechar comércios extorquidos pelos narcos; a qualidade de vida ao multiplicar o número de assassinatos e forçar a população a emigrar; e a relação do pequeno país sul-americano com o mundo.
Mesmo com uma redução de 16% no número de homicídios dolosos no ano passado, a taxa desse crime no país é de 38 por 100 mil habitantes, a maior da América Latina.
Não à toa, foi Guayaquil, a importante cidade portuária de 2,6 milhões de habitantes, que se tornou a prioridade das duas campanhas. O município virou epicentro da atividade criminosa e da experiência de militarização da segurança pública adotada por Noboa.
Foi ali que ocorreram os três maiores episódios de projeção global do governo Noboa: primeiro, em janeiro do ano passado, a fuga da prisão do maior narcotraficante do país, Fito; segundo, a invasão de um canal de TV ao vivo por homens armados; terceiro, o assassinato de quatro meninos negros pobres de 11 a 15 anos levados por militares.
A crise energética do ano passado também pesa, dado que o sistema de geração de energia fundamentalmente hidroelétrico do país, catapultado nos anos do correísmo, apresentou sua falência e o novo governo terá de apresentar soluções para o problema.
Essas são as eleições mais convencionais, apesar da violência, desde 2023. Naquele ano o presidente de centro-direita Guillermo Lasso, na mira de um processo de impeachment, encurtou seu mandato ao apelar pioneiramente ao mecanismo constitucional da morte cruzada. Ele dissolveu todo o governo de forma antecipada e convocou eleições.
Em um pleito “express”, marcado por alta violência e pelo assassinato de um candidato a tiros em plena campanha eleitoral, também foram Daniel Noboa e Luisa González os nomes a se enfrentarem no segundo turno, até que o jovem herdeiro do império das bananas com escassa experiência política assumiu o poder por 17 meses em um mandato-tampão que se encerra no próximo dia 24 de maio.



