Ranking de liberdade de imprensa mostra situação precária – 02/05/2025 – Mundo

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O ranking mundial de liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) indica que, pela primeira vez na história do índice, as condições para a prática do jornalismo são precárias em metade dos países do mundo e satisfatórias em menos de um quarto.

Segundo o ranking divulgado nesta sexta-feira (2), em 90 dos 180 países avaliados, a situação é difícil ou muito grave para o jornalismo, enquanto apenas 42 nações têm situação boa ou relativamente boa. Mais de 60% dos países viram sua posição no ranking cair.

Uma das exceções foi o Brasil, que ficou em 63º lugar, um ganho de 47 posições desde 2022, com a saída do ex-presidente Jair Bolsonaro do governo.

“O Brasil vive um ambiente menos hostil à imprensa desde a saída de Bolsonaro e tem um bom desempenho no contexto global, em que líderes como Maduro [na Venezuela], Ortega [na Nicarágua], Milei [na Argentina] e Trump [nos Estados Unidos] perseguem a imprensa; esses dois fatores explicam a melhora do país no ranking”, disse à Folha Artur Romeu, diretor do escritório da RSF para a América Latina.

Mas o país continua com problemas sérios em relação à segurança dos jornalistas, com ameaças e assassinatos, e à credibilidade da imprensa, com campanhas de ódio contra profissionais, que, por vezes, chegam a se autocensurar por medo de represálias.”

A RSF aponta como uma das principais ameaças à liberdade de imprensa o enfraquecimento econômico dos meios de comunicação. A fragilidade do modelo de negócios diante da competição das big tech, concentração da propriedade dos meios de comunicação, pressão de anunciantes ou financiadores, ausência, restrição ou atribuição opaca de auxílios públicos –todos esses fatores têm afetado os veículos de mídia.

A situação para o jornalismo é considerada muito grave em 42 países —que abrangem mais da metade da população mundial. São nações onde a liberdade de imprensa está praticamente ausente e o exercício do jornalismo é extremamente perigoso.

É o caso da Palestina (163º), onde cerca de 200 jornalistas foram mortos desde o início do conflito com Israel. Também países da África Oriental como Uganda (143º), Etiópia (145º) e Ruanda (146º) se encontram este ano em situação “muito grave”. A China (178º), a Coreia do Norte (179º) e a Eritreia (180º) estão nas piores colocações do ranking.

No Oriente Médio, todos os países se encontram em situação difícil ou muito grave, com exceção do Qatar (79º). Segundo a RSF, a imprensa local está encurralada entre a repressão de regimes autoritários e a persistente insegurança econômica.

Nos Estados Unidos (57º), de acordo com a RSF, o segundo mandato de Donald Trump provocou uma deterioração preocupante na liberdade de imprensa. Na Argentina (87º), o presidente Javier Milei estigmatizou jornalistas, desmantelou a mídia pública e utilizou a publicidade estatal como instrumento de pressão política. O país perdeu 47 posições em apenas dois anos. No Peru (130º), a liberdade de imprensa também entrou em colapso —caiu 53 posições desde 2022— devido ao assédio judicial, as campanhas de desinformação e a crescente pressão sobre a mídia independente.

El Salvador (135º) mantém sua trajetória de queda: 61 posições perdidas desde 2020, sob a Presidência de Nayib Bukele. O México (124º), país mais perigoso da região para jornalistas, perdeu três posições. A Nicarágua (172º), onde o governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo acabou com a mídia independente, retirou a nacionalidade de muitos jornalistas e forçou centenas ao exílio, tornou-se o país com pior desempenho do continente –atrás até de Cuba (165). A Venezuela (160º) continua tendo um dos piores desempenhos da região, “entre censura generalizada e perseguição judicial”.

Segundo o relatório, em quase um terço dos países do mundo, meios de comunicação fecham regularmente devido às dificuldades econômicas. Nos Estados Unidos, que caíram duas posições, vastas regiões estão se transformando em desertos de notícias.

O ranking mapeia percepções e é elaborado a partir de respostas de um questionário que avalia cinco aspectos –político, jurídico, econômico, sociocultural e segurança. Respondem ao questionário representantes de associações sindicais e patronais, donos de veículos de mídia, jornalistas, acadêmicos e membros da sociedade civil.



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