Cerca de 2.500 pessoas tiveram que deixar suas residências na Argentina devido a inundações provocadas por intensas chuvas que atingem a província de Buenos Aires há mais de 24 horas.
A expectativa é de que o temporal se intensifique na noite deste sábado (17), informaram autoridades locais.
A tempestade afeta a zona norte da província, além da cidade de Buenos Aires e sua área metropolitana, que concentra cerca de 15 milhões de habitantes, com ruas alagadas e acessos interrompidos.
O último boletim oficial da província de Buenos Aires, divulgado na manhã deste sábado, mencionava cerca de 1.000 pessoas evacuadas.
No entanto, fontes do governo provincial confirmaram à AFP que, no período da tarde, o número estava “em constante mudança”, com cerca de 2.500 pessoas evacuadas, incluindo aquelas que não buscaram os abrigos.
Algumas das localidades mais atingidas são Campana e Zárate, situadas entre 80 e 90 km ao norte da capital do país sul-americano, onde a chuva caiu de forma quase ininterrupta desde a manhã desta sexta-feira (16), forçando centenas de pessoas a abandonarem suas casas.
“Tivemos um total de 425 milímetros nas últimas 24 horas, uma loucura, nunca aconteceu algo assim”, disse à AFP Emiliano Riberas, diretor de Coordenação de Emergências de Zárate, que detalhou que “há áreas com água acima do ombro”.
No município, pouco mais de 200 pessoas foram levadas para clubes e centros esportivos, embora o prefeito, Marcelo Matzkin, tenha dito ao canal TN que esperava que muitas mais precisassem ser deslocadas ao longo do dia.
Na cidade vizinha de Campana, a situação não era melhor. Em bairros como San Cayetano, situados em áreas baixas e próximos a campos que se inundam rapidamente, dezenas de pessoas passaram a noite aguardando ajuda nos telhados de suas casas, invadidas pela água, constatou a AFP.
“Perdemos tudo o que tínhamos, pelo que lutamos todos esses anos”, lamentou Manuel Sánchez, pouco depois de ser retirado de casa. “Agora não temos para onde ir”, acrescentou.
Tanto o governo nacional quanto o provincial colocaram em marcha operações de emergência, enviando para as áreas mais afetadas equipes de resgate, técnicos, veículos especializados e suprimentos para os refugiados, como colchões, cobertores, roupas secas, água e alimentos. No entanto, alguns locais continuavam inacessíveis.
Na região, o transbordamento de diversos rios e córregos causou “grande quantidade de água na pista” em pelo menos sete estradas e rodovias, informou o governo provincial.
Entre as vias interrompidas está a Rota Nacional 9, uma das mais importantes da Argentina, que vai da capital até a fronteira com a Bolívia, passando por Zárate e Campana, onde vários caminhões e pelo menos quatro ônibus ficaram presos.
Os passageiros, em muitos casos menores de idade em viagens escolares, passaram a noite inteira em seus assentos. O socorro só começou a chegar perto das 12h.
“Estamos sob uma quantidade terrível de água, com 44 passageiros a bordo”, relatou na manhã deste sábado ao canal TN Daniel, motorista de um ônibus que estava parado desde a 0h sem conseguir avançar.
As chuvas intensas devem continuar. De acordo com a previsão, “voltarão a se intensificar” na noite deeste sábado e na madrugada deste domingo (18), especialmente em toda a zona norte da província de Buenos Aires, disse à AFP Cindy Fernández, meteorologista do Serviço Meteorológico Nacional argentino.
O volume de chuvas registrado lembra o que, em 7 de março, causou inundações trágicas em Bahía Blanca, 600 km ao sul de Buenos Aires, onde 18 pessoas morreram e os prejuízos materiais somaram US$ 400 milhões.




