Júri não vê intenção em PM que matou jovem em casa e pena vira indenização

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O soldado Marcos de Meira Santos foi condenado a um ano de prisão em regime aberto pela morte da estudante Mara Oliveira de Lima, 19 anos, durante uma perseguição policial em 2021 na zona sul de São Paulo. No entanto, a pena foi convertida em pagamento de cinco salários mínimos ao filho da vítima.

Mara Oliveira de Lima foi baleada na porta de casa em 7 de fevereiro de 2021. O disparo ocorreu enquanto o policial perseguia um suspeito na região do Campo Limpo, em São Paulo

A Polícia Civil concluiu que houve homicídio culposo, ou seja, que não houve intenção de matar. No entanto, o Ministério Público acusou o soldado por homicídio doloso, argumentando que ele agiu com intenção ao atirar, mas os jurados julgaram que a versão da Polícia Civil era mais correta. Assim, o juiz Antonio Carlos Pontes de Souza, do Tribunal de Justiça de São Paulo, substituiu a pena por prestação pecuniária, ou seja, pelo pagamento de cinco salários mínimos ao filho de Mara, que hoje tem sete anos. Cabe recurso à decisão.

O policial alegou, na época, ter atirado para se defender. Segundo ele, o suspeito teria feito um gesto ameaçador como se empunhasse uma arma.

Testemunhas contestam a versão do policial. Familiares e testemunhas afirmam que o suspeito estava apenas com um celular na mão.

FAMÍLIA NÃO VÊ JUSTIÇA EM DECISÃO

Cosme de Jesus Paraguai, pai da vítima, expressou revolta com a decisão. Ele criticou a substituição da pena por pagamento em dinheiro, considerando-a desrespeitosa.

O advogado Hugo Leonardo criticou a decisão do júri. Ele afirmou que o resultado legitima a violência policial e classificou a pena como “irrisória”.

A defesa do soldado argumenta que não houve intenção de matar. O advogado Alexandre Taveira destacou que o tiro fatal foi resultado de um ricocheteio.

PM ERA DE UM DOS BATALHÕES MAIS LETAIS DE SÃO PAULO

Marcos de Meira Santos era soldado do 16º Batalhão Metropolitano. O Batalhão ficou conhecido como um dos mais letais da polícia militar paulista, já que Entre 2017 e 2024, registrou 153 mortes praticadas por seus agentes.

A Secretaria da Segurança Pública informou que o policial está afastado das ruas. A SSP-SP destacou esforços para reduzir casos de mortes decorrentes de intervenção policial através de capacitação e equipamentos aprimorados.



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