O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (3), em entrevista coletiva em Brasília, que há um genocídio na Faixa de Gaza e que os defensores de Israel precisam parar de vitimismo.
“Você não pode, a pretexto de encontrar alguém, matar mulheres e crianças, deixar crianças com fome”, disse o presidente brasileiro. O governo israelense mantém ações militares em Gaza sob o argumento de buscar integrantes e lideranças do Hamas e destruir o grupo terrorista.
“O que está acontecendo em Gaza não é uma guerra. É um Exército matando mulheres e crianças”, declarou Lula. “Exatamente por conta do que o povo judeu sofreu na sua história que o governo de Israel deveria ter bom senso e humanismo no trato com o povo palestino”, disse o presidente brasileiro.
“E vem dizer que é antissemitismo? Precisa parar com esse vitimismo. Precisa parar com esse vitimismo e saber o seguinte: o que está acontecendo na Faixa de Gaza é um genocídio”, disse o petista, marcando as sílabas da palavra genocídio.
Lula embarca para a Europa ainda nesta terça-feira, onde fará uma visita de Estado à França. Ele disse que discutirá o “massacre do Exército de Israel à Faixa de Gaza” com o presidente francês, Emmanuel Macron. Também estará na pauta o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
“Certamente vamos discutir a guerra da Rússia e da Ucrânia. Certamente vamos discutir o massacre do Exército de Israel à faixa de Gaza. Certamente vamos discutir o acordo União Europeia-Mercosul. Certamente vamos discutir coisas na área da Defesa, porque temos uma parceria na área do submarino nuclear“, declarou Lula.
Aliada histórica de Israel, a França tem subido o tom de críticas a Tel Aviv em meio à retomada caótica de entrada e distribuição de ajuda humanitária no território palestino, inclusive pelo reconhecimento oficial de um Estado palestino. “Não é simplesmente um dever moral, mas uma exigência política”, afirmou Macron sobre o assunto na semana passada.
O Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa, confirmou que os presidentes vão falar de Gaza e informou que possivelmente haverá uma declaração conjunta sobre o assunto. Não mencionou, porém, o acordo UE-Mercosul entre os temas a serem tratados pelos dois presidentes, em um briefing (reunião informativa) com a imprensa local e estrangeira.
Questionado pela Folha sobre a omissão, a assessoria do Eliseu respondeu que o governo francês teve a oportunidade de apresentar sua posição em várias ocasiões: “Que o acordo não é aceitável no estado atual.“
“Resta saber se a parte brasileira deseja trocar ideias sobre o assunto, mas já houve muitos diálogos com o presidente durante visitas anteriores para apresentar nossa posição, que não mudou”, afirmou.
O presidente também afirmou que tentará vender o “bom momento do Brasil” a empresários franceses para tentar atrair investimentos.
Lula é próximo de Macron, que já visitou o Brasil durante o governo do petista. Além disso, o francês recebeu o político brasileiro em Paris quando o petista ainda não era presidente da República.
Ele terá compromissos oficiais no território francês de 4 a 9 de junho. Nesse período, a Torre Eiffel deverá ser iluminada com as cores do Brasil, uma demonstração de prestígio. Trata-se da primeira visita de Estado de um presidente brasileiro à França em 13 anos —a última foi feita por Dilma Rousseff, em 2012.
O primeiro compromisso de Lula em Paris, nesta quarta (4), será a cerimônia oficial de recepção no Pátio de Honra da Esplanada dos Inválidos, local tradicional de eventos militares e desfiles na França, de acordo com o governo brasileiro. Em seguida, o presidente terá um encontro com Macron no Palácio do Eliseu, a sede do governo francês. A reunião contará com a participação das delegações dos dois países e será seguida por uma cerimônia de assinatura de atos.
Ao todo, Lula e Macron devem assinar 20 atos bilaterais, incluindo acordos de cooperação nas áreas de vacinas, de segurança pública, de educação e de ciência e tecnologia, segundo a Agência Brasil.
A agenda inclui outros compromissos com simbolismo político e diplomático, como a visita à sede da Interpol, em Lyon, no dia 9 —a organização internacional de polícia atualmente é comandada por um brasileiro. Inicialmente estava prevista na agenda, no dia 7, a ida à base naval de Toulon, onde são fabricados submarinos nucleares. O evento, porém, foi retirado da programação, ainda sem explicações por parte do Itamaraty e do Palácio do Eliseu.
Lula será homenageado em uma sessão especial da Academia Francesa, no dia 5. No dia seguinte, ele também visitará, no Grand Palais — tradicional pavilhão de exposições de Paris—, uma mostra dedicada ao Ano do Brasil na França. Também deverá receber o título de doutor honoris causa da Universidade Paris 8, onde lecionaram intelectuais como o filósofo Michel Foucault e o psicanalista Jacques Lacan.
A agenda ambiental também está contemplada, com a inauguração de uma “floresta urbana” em frente à prefeitura de Paris, no dia 5, e a participação de Lula na Conferência das Nações Unidas sobre o oceano, que será realizada em Nice, no litoral mediterrâneo, no dia 9.
Principais compromissos de Lula na França
4.jun – Lula participa de cerimônia oficial de recepção no Pátio de Honra da Esplanada dos Inválidos, em Paris; em seguida, o presidente brasileiro encontra Macron no Palácio do Eliseu para assinatura de atos e participa da inauguração de uma “floresta urbana” em frente à prefeitura
5.jun – Líder petista deverá receber homenagens em sessão especial da Academia Francesa;
6.jun – Lula deverá receber o título de doutor honoris causa da Universidade Paris 8, onde lecionaram intelectuais como Michel Foucault e Jacques Lacan; ele também visitará uma mostra dedicada ao Ano do Brasil na França
8.jun – Lula foi convidado para participar de evento em Mônaco sobre a economia, com enfoque na questão da utilização econômica e mobilização de financiamento para a conservação dos oceanos;
9.jun – Presidente vai a Nice para participar da Terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos;




