Um relatório preliminar e confidencial dos Estados Unidos afirma que o bombardeio americano às instalações nucleares do Irã selou as entradas de duas delas, mas não causou o colapso das estruturas subterrâneas, segundo autoridades familiarizadas com o assunto ouvidas pelo The New York Times.
As conclusões iniciais do documento apontam que os ataques realizados no último fim de semana atrasaram o programa nuclear iraniano por apenas alguns meses.
Antes do ataque, as agências de inteligência dos EUA estimavam que, caso o Irã tentasse acelerar a produção de uma bomba nuclear, levaria cerca de três meses.
Após a ofensiva aérea americana e os ataques da Força Aérea israelense, o relatório da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA estimou que o programa foi atrasado por menos de seis meses.
Ex-funcionários disseram que qualquer tentativa apressada do Irã de obter uma bomba provavelmente resultaria em um dispositivo relativamente pequeno e rudimentar. Uma ogiva miniaturizada seria muito mais difícil de produzir, e não está claro o quanto essa pesquisa mais avançada foi afetada.
As conclusões sugerem que a declaração do presidente Donald Trump de que as instalações nucleares do Irã foram obliteradas foi exagerada. O Congresso dos EUA seria atualizado sobre o ataque nesta terça-feira (24), e os parlamentares esperavam questionar a avaliação do governo, mas a sessão foi adiada. Os senadores agora devem ser informados na quinta-feira (25).
O relatório preliminar também afirma que grande parte do estoque de urânio enriquecido do Irã foi movido antes dos bombardeios, que destruíram pouco do material nuclear. Parte do material pode ter sido transferida para instalações nucleares secretas mantidas pelo Irã.
Alguns funcionários israelenses também disseram acreditar que o Irã mantém pequenas instalações clandestinas de enriquecimento, construídas com o objetivo de permitir a continuidade do programa nuclear mesmo após um ataque aos principais centros nucleares.
Funcionários americanos alertaram que o relatório confidencial de cinco páginas é apenas uma avaliação inicial e que outras análises serão feitas à medida que mais informações forem coletadas e que o Irã inspecionar os três locais atacados: Fordow, Natanz e Isfahan. Uma autoridade disse que os relatórios mostrados a membros do governo eram contraditórios, mas que mais avaliações ainda seriam feitas.
No entanto, o relatório da Agência de Inteligência de Defesa indica que os locais não foram danificados tanto quanto algumas autoridades do governo esperavam e que o Irã mantém o controle de quase todo o seu material nuclear —o que significa que, caso decida fabricar uma arma nuclear, ainda poderia fazê-lo em relativamente pouco tempo.
Autoridades entrevistadas pelo New York Times falaram sob condição de anonimato porque as descobertas do relatório permanecem confidenciais.
A Casa Branca contestou a avaliação. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que ela estava “completamente errada”.
“O vazamento desta suposta avaliação é uma clara tentativa de enfraquecer o presidente Trump e desacreditar os corajosos pilotos de caça que conduziram uma missão perfeitamente executada para obliterar o programa nuclear do Irã”, disse ela em um comunicado. “Todos sabem o que acontece quando você lança 14 bombas de 13 toneladas perfeitamente em seus alvos: obliteração total.”
Os ataques danificaram gravemente o sistema elétrico em Fordow, que está abrigado no interior de uma montanha para protegê-lo de ataques, disseram autoridades. Não está claro quanto tempo levará para o Irã obter acesso aos edifícios subterrâneos e depois reparar os sistemas elétricos e reinstalar equipamentos que foram movidos.
Avaliações iniciais de danos conduzidas por Israel também levantaram questões sobre a eficácia dos ataques. Autoridades de defesa israelenses disseram ter coletado evidências de que as instalações subterrâneas em Fordow não foram destruídas.
Antes do ataque, os militares dos EUA apresentaram uma série de possibilidades sobre quanto o ataque poderia atrasar o programa iraniano. Essas variavam de poucos meses, no mínimo, a anos, no máximo. Algumas autoridades alertaram que tais estimativas são imprecisas e que é impossível saber exatamente quanto tempo o Irã levaria para reconstruir o programa, se optasse por fazê-lo.
Trump declarou que os ataques de bombardeiros B-2 e mísseis Tomahawk da Marinha obliteraram os três complexos nucleares iranianos, uma afirmação que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, repetiu. Mas o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, tem sido mais cauteloso ao descrever os efeitos do ataque. “Esta operação foi projetada para degradar severamente a infraestrutura de armas nucleares do Irã”, disse.
Ao lado de Hegseth, Caine afirmou que a avaliação final dos danos para a operação militar contra o Irã ainda estava por vir. Ele disse que a avaliação inicial mostrou que todos os três locais nucleares iranianos que foram atingidos “sofreram danos graves e destruição”.




