EUA exigem posição em eventual guerra contra China – 13/07/2025 – Mundo

173979565067b32cc24cee9_1739795650_3x2_rt.jpg


O Pentágono está pressionando o Japão e a Austrália a deixarem claro qual papel desempenhariam caso os EUA e a China entrassem em guerra por Taiwan, em um esforço que tem frustrado os dois aliados mais importantes dos Estados Unidos no Indo-Pacífico.

Elbridge Colby, subsecretário de Defesa, tem insistido na questão em reuniões com autoridades de Defesa japonesas e australianas nos últimos meses, segundo cinco pessoas familiarizadas com as discussões.

Essa iniciativa é o esforço mais recente de Colby para convencer os aliados dos EUA no Indo-Pacífico a reforçarem a dissuasão e se prepararem para uma possível guerra por Taiwan.

Um funcionário do Departamento de Defesa dos EUA se recusou a comentar o pedido relacionado a Taiwan, mas destacou que o “tema central” das conversas de Colby com os aliados era “intensificar e acelerar os esforços para fortalecer a dissuasão de forma equilibrada e equitativa”.

O funcionário enfatizou que os esforços do Pentágono estavam “focados em prevenir a guerra, com um forte escudo de dissuasão”.

“Isso exige força —mas é um fato simples que nossos aliados também devem fazer sua parte”, disse ele. “Não buscamos a guerra. Tampouco buscamos dominar a China. O que estamos fazendo é garantir que os Estados Unidos e seus aliados tenham força militar suficiente para respaldar a diplomacia e garantir a paz.”

As conversas incluem esforços para persuadir os aliados a aumentarem os gastos com Defesa, em meio à crescente preocupação com a ameaça da China a Taiwan. Mas o pedido por comprometimentos relacionados a uma guerra pela ilha é uma nova exigência dos EUA.

“Planejamento operacional concreto e exercícios com aplicação direta a um cenário de contingência em Taiwan estão avançando com Japão e Austrália”, disse uma das fontes. “Mas esse pedido pegou Tóquio e Canberra de surpresa, pois os próprios EUA não oferecem uma garantia irrestrita [de proteção] a Taiwan.”

Os EUA mantêm há muito tempo uma política de “ambiguidade estratégica”, segundo a qual não declaram se defenderiam a ilha. O ex-presidente Joe Biden, em quatro ocasiões, contrariou essa política e afirmou que os EUA interviriam. Já Donald Trump, como outros presidentes, recusou-se a dizer o que faria.

Zack Cooper, especialista em Ásia do Instituo American Enterprise, afirmou: “É muito difícil conseguir que aliados forneçam detalhes sobre o que fariam em um conflito envolvendo Taiwan quando nem conhecem o contexto do cenário nem a própria resposta dos EUA.”

“O presidente Trump não se comprometeu a defender Taiwan, então é irreal que os EUA peçam comprometimentos claros de outros países.”

A pressão tem sido dirigida a autoridades de defesa japonesas e australianas, e não a níveis mais altos. Uma segunda fonte disse que houve um “erguer de sobrancelhas coletivo” por parte de representantes do Japão, da Austrália e de outros aliados dos EUA.

O Ministério da Defesa do Japão afirmou que é “difícil responder a uma pergunta hipotética sobre uma ‘emergência em Taiwan’.” Disse ainda que qualquer resposta “seria implementada de forma individual e específica, de acordo com a Constituição, o direito internacional e as leis e regulamentos domésticos”.

A embaixada da Austrália nos EUA não comentou.

A pressão de Colby ocorre após outras ações que geraram preocupação. O Financial Times informou no mês passado que ele estava revisando o acordo de segurança Aukus, que permitirá a Canberra adquirir submarinos movidos a energia nuclear.

Colby também instou os militares europeus a reduzirem o foco no Indo-Pacífico e se concentrarem mais na região atlântica. O FT também informou recentemente que o Japão cancelou uma reunião ministerial de alto escalão com os EUA depois que Colby aumentou abruptamente o pedido americano por mais gastos com Defesa.

O Pentágono foi forçado a defender Colby nos últimos dias após reportagens indicarem que ele foi responsável pela decisão de bloquear armas para a Ucrânia, que foi revertida pouco depois pelo presidente.

Mas o debate sobre o planejamento em relação a Taiwan ocorre enquanto Tóquio e Canberra sentem pressão de Trump para aumentar os gastos, o que aliados de Colby dizem ser muito importante, dado o aumento da ameaça chinesa na região do Indo-Pacífico.

“Estamos nos dirigindo a nossos aliados no Indo-Pacífico, muito parecido com o que o presidente fez na Europa, e dizendo: este é o ambiente de ameaça”, disse o funcionário americano. “Obviamente, algumas dessas são conversas difíceis, inclusive sobre os gastos com defesa. Mas acreditamos que isso nos deixará a todos em uma situação melhor.”

O funcionário disse que o governo está confiante de que Japão e Austrália aumentarão os gastos com defesa mais rapidamente do que os aliados europeus.

“Acreditamos que não deve —e nem pode— levar 20 anos. Não apenas porque isso é do nosso interesse, mas porque também é do interesse dos aliados no Indo-Pacífico.”

A situação é particularmente sensível para o Japão, porque a pressão por mais gastos —incluindo uma feita publicamente por Colby, que foi rebatida pelo primeiro-ministro Shigeru Ishiba— ocorre às vésperas das eleições para a Câmara alta do país, em 20 de julho.

O funcionário afirmou que os EUA compreendem que precisam ser sensíveis às considerações políticas dos aliados.

“Isso é algo que todos nós temos que lidar”, disse o funcionário. “É difícil, mas as coisas simplesmente precisam se tornar mais justas e equitativas para que isso funcione —o que é essencial. É por isso que temos liderança.”

O funcionário afirmou que o Pentágono recebeu sinais positivos sobre o aumento dos gastos por parte do Japão e da Austrália, mas enfatizou que é “crítico para todos nós que vejamos resultados”.

Alguns aliados acreditam que Colby está ignorando preocupações em sua busca por uma dissuasão mais forte. O funcionário disse que isso é “comprovadamente falso”.

“Estamos investindo enormes quantidades de tempo e energia para trabalhar com os aliados e encontrar formas de enfrentar nossos desafios compartilhados de maneira que beneficiem a todos nós”, afirmou.



Source link

Leia Mais

Lula diz ser mentira que Irã tenha arma nuclear -

Lula diz ser mentira que Irã tenha arma nuclear – 01/04/2026 – Mundo

abril 2, 2026

naom_694d26199b93c.webp.webp

STF julga se Jair Bolsonaro podia bloquear cidadãos em contas oficiais nas redes sociais

abril 2, 2026

EBC lança edital para programas radiofônicos independentes

EBC lança edital para programas radiofônicos independentes

abril 2, 2026

177498490569cc1ec973055_1774984905_3x2_rt.jpg

Igrejas nos EUA vivem reavivamento repentino após queda – 02/04/2026 – Ross Douthat

abril 2, 2026

Veja também

Lula diz ser mentira que Irã tenha arma nuclear -

Lula diz ser mentira que Irã tenha arma nuclear – 01/04/2026 – Mundo

abril 2, 2026

naom_694d26199b93c.webp.webp

STF julga se Jair Bolsonaro podia bloquear cidadãos em contas oficiais nas redes sociais

abril 2, 2026

EBC lança edital para programas radiofônicos independentes

EBC lança edital para programas radiofônicos independentes

abril 2, 2026

177498490569cc1ec973055_1774984905_3x2_rt.jpg

Igrejas nos EUA vivem reavivamento repentino após queda – 02/04/2026 – Ross Douthat

abril 2, 2026