Investigadores descobriram evidências de que a Rússia é, ao menos em parte, responsável por um recente ataque ao sistema de computadores que gerencia documentos dos tribunais federais dos Estados Unidos —incluindo registros altamente sigilosos com informações que poderiam revelar fontes e pessoas acusadas de crimes de segurança nacional—, segundo várias pessoas informadas sobre a invasão.
Ainda não está claro qual entidade é responsável, se um braço da inteligência russa está por trás da intrusão ou se outros países também participaram. Algumas das fontes familiarizadas com o caso descreveram a ação como um esforço de anos para infiltrar o sistema. Algumas buscas incluíram casos criminais de nível intermediário na área de Nova York e em diversas outras jurisdições, alguns envolvendo pessoas com sobrenomes russos e da Europa Oriental.
A divulgação ocorre enquanto o presidente Donald Trump deve se encontrar com seu homólogo russo, Vladimir Putin, no Alasca, na sexta-feira (15), ocasião em que Trump pretende discutir sua proposta para encerrar a guerra na Ucrânia.
Administradores do sistema judiciário informaram recentemente autoridades do Departamento de Justiça, escrivães e juízes de tribunais federais que “atores cibernéticos persistentes e sofisticados comprometeram recentemente registros sob sigilo”, segundo um memorando interno do departamento, revisado pelo New York Times. Os administradores também aconselharam essas autoridades a remover rapidamente do sistema os documentos mais sensíveis.
Inicialmente, acreditava-se que os alvos eram documentos relacionados a crimes com ligação no exterior, espalhados por pelo menos oito tribunais distritais. No mês passado, juízes-chefes de tribunais em todo o país foram alertados, de forma reservada, a transferir esses tipos de casos para fora do sistema eletrônico regular de gestão de documentos, segundo autoridades informadas sobre o pedido. Eles foram instruídos, a princípio, a não discutir o assunto com outros magistrados de suas jurisdições.
Autoridades federais estão tentando identificar padrões da invasão, avaliar os danos e corrigir falhas no sistema.
Na semana passada, administradores do sistema judiciário dos EUA anunciaram publicamente que estavam adotando medidas adicionais para proteger a rede, que inclui o sistema Case Management/Electronic Case Files, usado para enviar documentos, e o Pacer.
Eles não comentaram a origem do ataque nem quais arquivos foram comprometidos. A violação também afetou tribunais federais na Dakota do Sul, Missouri, Iowa, Minnesota e Arkansas, segundo um funcionário que pediu anonimato por se tratar de uma investigação em andamento.




