Com Trump controlando a polícia em Washington, famílias negras discutem como evitar abordagem – 28/08/2025 – Mundo

Com Trump controlando a polícia em Washington, famílias negras discutem


Dias após o presidente Donald Trump ordenar o aumento de agentes federais de segurança em Washington, a capital dos Estados Unidos, Charlene Golphin disse ao seu filho de 17 anos que seu toque de recolher seria reduzido em duas horas.

Golphin temia que, como um jovem negro, seu filho fosse pego na rede de agentes encarregados pelo presidente de reprimir as “multidões errantes de jovens selvagens” que ele acusou de aterrorizar a cidade.

Seu filho, Atrayu Lee, argumentou que sua mãe estava exagerando. Ele não se envolvia em atividades que pudessem incitar uma interação negativa com a polícia, disse. Lee passava seu tempo livre trabalhando com organizações locais e havia parado de usar moletons com capuz ou agasalhos esportivos pretos. Golphin se recusou a ouvi-lo.

As novas patrulhas de agentes federais e tropas da Guarda Nacional, além da declaração de Trump de que os jovens são uma ameaça à segurança pública, deixaram pais negros em alerta, levando muitos deles a impor regras mais rígidas sobre sair de casa e a retomar conversas difíceis sobre abordagem racial e policiamento.

Por décadas, pais negros têm abordado o que descrevem como “a conversa”, um conjunto de diretrizes sobre como seus filhos, particularmente os meninos, devem interagir com a polícia e tentar evitar a atenção das forças de segurança.

Essas conversas se intensificaram após as mortes de Trayvon Martin na Flórida e Michael Brown na cidade de Ferguson, em Missouri, chamando a atenção nacional para o problema de jovens negros morrendo nas mãos da polícia. Após os protestos nacionais que se seguiram à morte de George Floyd, em Minneapolis, e levaram a reformas policiais em cidades de todo o país, alguns pais disseram que se sentiram confortáveis o suficiente para deixar de ter esse tipo de conversa com os filhos.

Keith Flemons, pai de quatro filhos que vive em Washington, foi um dos que esperavam que seus filhos pudessem se sentir livres para viver suas vidas sem esse tipo de preocupação. “O que estou fazendo além de aumentar a ansiedade deles? [ao abordar esse assunto]”, disse.

Mas a presença ampliada de tropas federais já teve um efeito transformador nessas famílias, e algumas delas já impõem controles mais rigorosos sobre seus filhos.

Complicando a discussão está o fato de que seus filhos, especialmente aqueles em áreas onde o crime é alto, estão entre as potenciais vítimas do tipo de crime que Trump disse querer prevenir.

Shaquita Miles, 35, disse que se preocupava “o tempo todo” com seu filho adolescente ser abordado por um agente federal ou se tornar vítima de um crime.

Ela agora tem uma lista de precauções para ele: se encontrar um agente de segurança, deve ser respeitoso e cumprir as ordens. Ele deve prestar muita atenção em como se veste —evitando roupas que possam chamar a atenção da polícia ou de possíveis assaltantes. E se estiver com um grande grupo de amigos, deve evitar lugares como Navy Yard, o bairro fortemente gentrificado onde joga o time de beisebol da cidade, o Washington Nationals.

Algumas famílias expressaram preocupação de que agentes federais ou tropas da Guarda Nacional não tivessem a mesma compreensão cultural de seus bairros como a polícia local.

Para muitos, no entanto, não é apenas a repressão federal que é perturbadora. É a sensação de que uma breve janela foi fechada, um tempo em que o país parecia aberto a ir além das percepções negativas sobre os negros em geral.

Quando Trump descreveu Washington como cheia de “derramamento de sangue, caos e miséria e coisa pior”, alguns pais negros interpretaram a mensagem como racialmente dirigida —a capital dos EUA é uma das cidades mais negras do país.

“Somos uma ameaça tão grande para a sociedade que temos que ser policiados assim?”, disse Miles. “Havia verdadeira igualdade que estava começando a se formar em nossa nação, mas agora é como se tivéssemos dado cem passos para trás.”

Apesar disso, muitos pais disseram que nunca voltariam aos dias em que as crianças negras eram incentivadas a se misturar ou a suprimir sua identidade.

“Meu filho é um estudante com tranças e desempenho acadêmico expcecional. Sim, estou preocupado”, disse Ronald Moten, um líder comunitário e cofundador do Museu Go-Go, o local dedicado ao go-go, o gênero musical que mistura funk e soul originado em Washington. “[Mas] eu nunca deixaria meu filho não viver sua negritude. Para mim, seu cabelo, a maneira como você se parece, a maneira como se veste —você é isso”.

Mayada Mannan-Brake, 45, mãe de dois filhos, concorda. “Não acho que este seria um momento para procurar razões para se misturar”, disse ela. “Meu filho usa um penteado afro. Não vou dizer a ele para não usar um afro para que ele possa ser menos visado.”

Mannan-Brake é uma cidadã naturalizada dos EUA cujos pais fugiram do Sudão devastado pela guerra como refugiados políticos. Ela não está apenas preocupada com seus filhos, particularmente seu filho de 15 anos, Mazin; ela também está preocupada que possa ser deportada ilegalmente sob a dura repressão à imigração que está em andamento.

“O que acontece se eles me levarem?”, ela se perguntou. Esta semana, ela salvou o número de um advogado no telefone do filho e o aconselhou a ficar longe de protestos, embora ela mesma seja uma ativista.

Em toda Washington, uma rede informal de pais se mobilizou em resposta à repressão. Eles alertam uns aos outros em um grupo de mensagens sobre batidas de imigração locais e estabeleceram um sistema de passagem segura, fazendo o transporte de ida e volta de alguns estudantes para a escola.

Uma escola pública no noroeste de Washington está oferecendo aos alunos, famílias e funcionários traslado para uma estação de metrô próxima e para diferentes campi. A escola também implementou uma iniciativa de ponte de segurança, em que funcionários e membros do corpo docente se voluntariam como uma espécie de vigilância de bairro durante os horários de chegada e saída.



Fonte CNN BRASIL

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