Cúpula na China mostra coesão entre países não ocidentais – 02/09/2025 – Mundo

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A China recebeu mais de 20 líderes em Tianjin para a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), onde Xi Jinping lançou sua Iniciativa de Governança Global e conseguiu o acordo para a criação de um banco de desenvolvimento, proposta defendida por Pequim há mais de uma década.

O encontro reuniu o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e outros chefes de Estado, projetando imagens de unidade entre países que compartilham críticas às tarifas e ao unilateralismo dos EUA.

Xi aproveitou para propor maior integração econômica, da energia verde à inteligência artificial, e oferecer novos pacotes de ajuda e crédito, reforçando o papel da China como eixo financeiro da organização.

Destaco dois pontos:

  • Banco da OCX como vitória chinesa: depois de anos de resistência russa, os países concordaram em criar a instituição, que deve operar em moedas alternativas ao dólar. Além de reforçar a autonomia financeira dos membros, o banco ampliará o alcance da diplomacia econômica de Pequim, já central no Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) e na Iniciativa Cinturão e Rota.

Apesar do simbolismo, persistem rivalidades entre os membros, incluindo tensões de fronteira Índia-China e conflitos não resolvidos como Armênia-Azerbaijão. Ainda assim, a expansão da OCX, agora com 26 países entre membros e parceiros, amplia seu alcance e consolida o discurso de que o mundo caminha para uma ordem multipolar.

Por que importa: a consolidação da OCX como fórum alternativo de governança internacional sinaliza maior coesão entre potências não ocidentais em meio às tarifas e ao isolacionismo de Donald Trump.

Para Washington e aliados, o risco é ver Pequim fortalecer um arcabouço financeiro e diplomático que reduz a centralidade do Ocidente na definição de normas globais.


para para ver

A cena mais marcante da cúpula foi a do cumprimento descontraído entre Xi, Putin e Modi. Além de aprofundar a cooperação dentro do bloco dos Brics, o encontro foi apontado como um marco do fracasso da política externa dos EUA, que por anos usou Nova Déli como contraponto estratégico a Pequim.


o que também importa

★ Os EUA cancelaram a autorização especial que permitia à fabricante de semicondutores taiwanesa TSMC enviar equipamentos a sua fábrica em Nanjing, na China, sem precisar de licenças. A partir de 31 de dezembro, cada remessa terá de ser aprovada caso a caso, o que pode atrasar entregas e dificultar expansões. A medida repete restrições já impostas às operações da Samsung e da SK Hynix no país. A Casa Branca prometeu liberar licenças para manter as fábricas funcionando, mas a burocracia e o acúmulo de pedidos geram incerteza. A TSMC disse que vai negociar com o governo americano e reafirmou o compromisso de manter a produção na China.

★ A polícia de Hong Kong anunciou que prendeu 96 pessoas e apreendeu drogas avaliadas em 479 milhões de dólares de Hong Kong (R$ 333 milhões) em operação conjunta entre polícia e alfândega realizada de junho a agosto. A ação, que contou com apoio da China continental e de 12 países, resultou em 74 ocorrências e 1,2 tonelada de entorpecentes confiscados. As autoridades emitiram ainda um alerta para o uso crescente de viajantes estrangeiros e chineses recrutados como “mulas”, com rotas aéreas complexas e bagagens em nomes de cúmplices para despistar investigadores.

★ A China está instalando ao menos 12 navios e plataformas de petróleo e gás dentro da zona econômica exclusiva de Taiwan, segundo um relatório do think tank Jamestown publicado nesta semana. Segundo o grupo, parte das estruturas fica a menos de 50 km das ilhas Pratas, controladas por Taipei. Apesar do potencial militar das plataformas, o governo de Taiwan ainda não reagiu publicamente. A estatal chinesa CNOOC negou a escalada em tensões com a ilha autogovernada e alegou atender a demandas energéticas da China continental.


fique de olho

Os liquidadores da incorporadora Evergrande pediram a um tribunal de Hong Kong a nomeação de responsáveis para identificar e preservar o patrimônio do fundador Hui Ka Yan, que se recusa a revelar seus ativos no exterior. A medida é parte da disputa para reaver cerca de US$ 6 bilhões (R$ 33 bilhões) em dividendos e remunerações recebidos por Hui e outros executivos antes do colapso da incorporadora.

Detido desde 2023, Hu não compareceu à audiência. Seu advogado rejeitou a necessidade da medida, mas a decisão judicial só será tomada em dezembro.

  • Segundo os liquidadores, Hui embolsou sozinho US$ 4,2 bilhões em dividendos entre 2017 e 2020. Sua ex-esposa, Ding Yumei, é acusada de ter movimentado até US$ 1 bilhão em ativos próprios e está entre os sete réus processados.

  • Até agora foram recuperados apenas US$ 255 milhões em ativos offshore, frente a reivindicações de cerca de US$ 45 bilhões. Os advogados estimam que a liquidação leve uma década e que a taxa de recuperação será muito baixa.

A Evergrande, que já foi o maior grupo imobiliário da China, entrou em default em 2021 e acumulou mais de US$ 300 bilhões em dívidas. A empresa recebeu ordem de liquidação em 2024 e foi excluída da bolsa de Hong Kong na semana passada, encerrando um dos maiores colapsos corporativos da história recente do país.

Por que importa: o processo expõe os limites da recuperação judicial em Hong Kong quando parte substancial do patrimônio está sob jurisdição chinesa. A dificuldade em localizar ativos de Hui amplia a incerteza sobre quanto os credores conseguirão reaver e reforça a crise de confiança no setor imobiliário chinês.

para ir a fundo

  • O Centro Empresarial Brasil-China lança na quinta o relatório anual que mapeia investimentos chineses no país. O encontro contará com a participação de oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Clique aqui para saber mais.

  • Estão abertas as inscrições para a pós-graduação em China Contemporânea da PUC Minas. As aulas são virtuais, começam em setembro e visam preparar os alunos para compreender os principais temas da sinologia atualmente. Interessados podem saber mais sobre o curso aqui.



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