Vítimas de Jeffrey Epstein exigiram nesta quarta-feira (3) que o Congresso dos Estados Unidos aprove uma legislação obrigando a divulgação de todos os registros não confidenciais relacionados ao financista, morto em 2019 quando estava preso por crimes sexuais, atualmente mantidos pelo governo do presidente Donald Trump.
“Trata-se de acabar com o segredo onde quer que o abuso de poder crie raízes”, disse Anouska De Georgiou, ex-modelo e atriz que foi uma das cerca de dez vítimas de Epstein que vieram a público falar de sua experiência em uma entrevista coletiva em frente ao Capitólio.
“A única razão de eu estar aqui é porque sinto que as pessoas que importam neste país finalmente se preocupam com o que temos a dizer”, afirmou Marina Lacerda, brasileira que conheceu Epstein quando tinha 14 anos, após uma amiga lhe dizer que poderia ganhar centenas de dólares massageando um homem mais velho.
As mulheres disseram apoiar a proposta em discussão na Câmara dos Representantes chamada de Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein, que exige a divulgação de registros, incluindo aqueles em posse do FBI e de promotores federais.
“Sobreviventes precisam de proteção, recursos e apoio legal. Se este Congresso realmente leva a justiça a sério, que este momento também afirme seu compromisso de fornecer às vítimas a assistência jurídica de que precisam”, disse De Georgiou na entrevista coletiva organizada pelos deputados Thomas Massie, republicano de Kentucky, e Ro Khanna, democrata da Califórnia, que tentam forçar a votação do projeto.
Líderes republicanos da Câmara tentam evitar um debate potencialmente difícil para sua bancada sobre a proposta, que, segundo Trump, não traria revelações novas ou significativas sobre o caso criminal de longa data e duração.
“Milhares de páginas de documentos já foram divulgadas. Mas isso é, na verdade, uma farsa dos democratas”, disse Trump em declaração no Salão Oval da Casa Branca nesta quarta-feira.
As sobreviventes enfatizaram que suas histórias são reais.
A polêmica sobre a retenção da divulgação dos arquivos do caso Epstein pelo Departamento de Justiça tem perseguido Trump nos últimos meses, com alguns de seus apoiadores mais fiéis exigindo a liberação dos documentos.
Epstein e Trump foram amigos por quase 15 anos, convivendo desde meados de 1990. Eles se conheceram na região de Palm Beach, na Flórida, onde ambos tinham propriedades e, por isso, frequentavam jantares e festas em ambientes como a mansão de Epstein em Nova York e o clube de Trump Mar-a-Lago, na Flórida, além de viajarem em jatos particulares do financista, cuja origem da riqueza nunca foi bem explicada.
O presidente da Câmara, Mike Johnson, tem buscado uma alternativa: colocar em votação apenas uma resolução de apoio a uma investigação já em andamento por um comitê da própria Câmara.
Massie chamou isso de “o truque mais velho do pântano”. “Quando querem matar um assunto, apresentam um placebo —um projeto diferente que não faz nada— e tentam enganar o povo americano. Isso não vai acontecer desta vez”, afirmou.
Na noite desta terça-feira (2), um comitê controlado pelos republicanos na Câmara divulgou mais de 33 mil páginas de arquivos sobre Epstein.
Massie e Khanna, porém, buscam informações muito mais amplas.
Eles tentam forçar a votação de sua proposta utilizando um procedimento complexo e frequentemente malsucedido que obriga uma matéria parada em uma comissão da Casa a ir para votação diretamente no plenário.
Seriam necessárias ao menos 218 assinaturas de deputados para tal; se todos os 212 democratas apoiarem a medida, Massie precisaria convencer cinco colegas republicanos a se juntarem a ele. Até quarta-feira, ele contava com o apoio de três: as deputadas Nancy Mace, Lauren Boebert e Marjorie Taylor Greene —as três próximas da base trumpista mais radical na Casa.
A liderança republicana da Câmara argumenta que o esforço para forçar a votação em plenário é inútil, dado o grande volume de documentos já tornado público.




