A China defendeu nesta quinta-feira (4) a decisão de convidar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, para o grande desfile militar realizado na capital do país. O evento, que exibiu pela primeira vez a tríade de armamentos nucleares chineses, foi descrito por Donald Trump como uma conspiração contra os Estados Unidos.
Em sua rede Truth Social, Trump publicou uma mensagem direcionada ao líder chinês, Xi Jinping. “Envie meus cumprimentos mais calorosos a Vladimir Putin e Kim Jong-un, enquanto vocês conspiram contra os Estados Unidos”, escreveu o republicano.
Questionado sobre a declaração, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que os líderes convidados participaram das celebrações pelos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. E refutou as acusações dos EUA.
“Trata-se de colaborar com países e povos que amam a paz, para recordar a história, honrar a memória dos mártires, valorizar a paz e construir o futuro”, disse o porta-voz Guo Jiakun. “O desenvolvimento das relações diplomáticas da China com qualquer país nunca é dirigido contra terceiros”, afirmou ainda.
O evento ocorre em um momento em que Pequim tenta consolidar sua força no Oriente frente às sanções impostas por Trump, que tenta também negociar o fim da Guerra da Ucrânia com Putin.
A China também reagiu às críticas da chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, que descreveu a presença de Xi, Putin e Kim lado a lado como parte de um esforço para criar uma “nova ordem mundial” antiocidental, representando “um desafio direto” à ordem internacional.
“As declarações de certa funcionária da UE estão repletas de viés ideológico, carecem de conhecimentos históricos básicos e incitam de forma descarada o confronto e o conflito”, rebateu Guo.
Ainda nesta quinta-feira, Xi Jinping se reuniu com Kim Jong-un no Grande Salão do Povo, em Pequim. Foi o primeiro encontro entre os dois em seis anos —o último havia ocorrido em 2019, quando Xi visitou Pyongyang.
Na véspera, Kim já havia se reunido com Putin em Pequim, reafirmando a parceria entre os dois países. A aproximação entre Rússia e Coreia do Norte é duramente criticada pelo Ocidente, devido ao envio de apoio militar à guerra na Ucrânia.
Desde o início da ofensiva, há mais de três anos, Pyongyang já teria enviado milhares de soldados para auxiliar o exército russo.
Em junho deste ano, o ditador prometeu ainda apoio incondicional na guerra, segundo a agência estatal de notícias de Pyongyang. No ano passado, os líderes assinaram um acordo estratégico que inclui a cooperação militar e assistência mútua em caso de agressão.
Putin também se encontrou com Xi durante sua ida à China para diferentes eventos. Na reunião principal, o russo afirmou que a relação entre os países chegou a um nível “sem precedentes”.
Além do desfile militar, Putin também participou dos encontros da Organização para Cooperação de Xangai neste final de semana. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também estava presente.




