Entenda como Trump amplia poder apesar de baixa aprovação – 05/09/2025 – Mundo

Entenda como Trump amplia poder apesar de baixa aprovação -


Se houve uma única ideia política que uniu os americanos ao longo de seu primeiro quarto de milênio, foi a de que o governo de uma só pessoa é um erro. A maioria deles também concorda que o governo federal é lento e incompetente. Juntas, essas coisas deveriam tornar impossível que um homem governasse por decreto da Casa Branca.

E, no entanto, é exatamente isso que este presidente está fazendo: enviando tropas, impondo tarifas, assumindo controle sobre o Banco Central, adquirindo participações em empresas, assustando cidadãos para que se submetam.

O efeito é avassalador, mas não popular. A taxa de aprovação do presidente Donald Trump é negativa em 14 pontos percentuais. Isso não é muito melhor do que a de Joe Biden após seu terrível debate no ano passado, e ninguém temeu que ele tivesse poder demais. É um enigma. A maioria dos americanos desaprova Trump. E, ainda assim, em toda parte parece que ele está conseguindo o que quer. Por quê?

Uma resposta é que ele se move muito mais rápido do que as forças pesadas que o restringem. Ele é como o algoritmo do TikTok, captando atenção e passando para a próxima coisa antes que seus oponentes tenham entendido o que acabou de acontecer. A Suprema Corte ainda nem sequer considerou se o envio de tropas a Los Angeles, em junho, foi legal. Enquanto os juízes demoram, o presidente pode em breve repetir a ação em Chicago. O tribunal talvez não decida sobre a legalidade de suas tarifas por meses. Até agora, o presidente tem obedecido às decisões da Suprema Corte, mas, se uma via legal se fechar, ele tentará outra, e o relógio recomeça.

Outra resposta é que o Partido Republicano sempre o deixa fazer o que quer. Não é apenas porque ele o domina, com uma aprovação de quase 90% entre os republicanos. É porque a lógica que orienta o partido é a que Trump está sempre certo, mesmo quando se contradiz. Os debates de políticas transformaram-se em disputas teológicas, em que os lados brigam pelo verdadeiro significado de suas palavras.

Instituições independentes —empresas, universidades ou organizações de notícias— poderiam se opor a ele. Mas sofrem de um problema de coordenação. É muito mais fácil apontar isso do que resolver, porque organizações que competem entre si teriam que colaborar. O que é ruim para Harvard pode não ser ruim para suas rivais. Se um único escritório de advocacia for alvejado, seus clientes podem migrar para um concorrente.

Por trás de tudo isso está a feia realidade da vingança e intimidação de Trump. Presidentes anteriores eram influenciados por especialistas independentes e pelo gabinete. A nova definição de especialista no Salão Oval é alguém que concorda com o chefe. Portadores de más notícias são demitidos, republicanos inconvenientes enfrentam primárias, líderes empresariais são punidos e opositores, investigados. Para cada um, a resposta racional é pedir desculpas, ceder e esperar que outra pessoa faça o que é certo. Tendo visto o que isso implica, essa “outra pessoa” pode preferir uma vida tranquila.

Politicamente, portanto, a principal tarefa da oposição recai sobre os democratas. Eles estão, para dizer gentilmente, confusos. Devem enfrentar Trump com postagens em CAIXA ALTA, como faz Gavin Newsom? Trata-se de dominar a autenticidade cuidadosamente elaborada, como Zohran Mamdani? Devem se mover para a esquerda? Devem ocupar o centro? O problema é apenas de comunicação e pode ser resolvido se os ativistas pararem de chamar mulheres de “pessoas que dão à luz”?

O fato de os democratas não conseguirem nem conter Trump nem se comunicar claramente deixa sua base irritada. As avaliações de Trump são baixas, mas ele é mais popular que o Partido Democrata —não porque republicanos e independentes o desaprovem (o que fazem), mas porque os próprios democratas se desaprovam.

No curto prazo, esse autodesprezo pode ser exagerado. As eleições de meio de mandato estão a um ano de distância. Em 10 das 12 eleições para a Câmara dos Representantes neste século, os eleitores se voltaram contra o partido que ocupa a Presidência. O gerrymandering, que reduzirá o número de distritos competitivos na Câmara de poucos para quase nenhum, significa que mesmo para um presidente tão impopular é improvável que sofra uma derrota esmagadora em 2026. Mas uma Câmara democrata com poder de intimação forneceria um controle crucial sobre a corrupção e a incompetência presidencial.

No longo prazo, porém, isso parece um falso consolo. A marca democrata está danificada. Os democratas são mais confiáveis para o eleitorado em saúde, meio ambiente e democracia. Mas, em muitas questões que os eleitores consideram importantes —incluindo crime e imigração—, eles preferem os republicanos. Na eleição de 2024, Kamala Harris foi vista como mais extrema que Trump. Dizer que os eleitores estão errados ou que são sexistas por pensarem assim não ajuda.

A demografia já não é amiga dos democratas. Sob Trump, os republicanos avançaram entre eleitores não brancos e jovens. Os democratas perderam a classe trabalhadora branca. Embora os eleitores mais escolarizados gostem deles, apenas 40% dos americanos com 25 anos ou mais têm diploma universitário. Essas mudanças significam que a narrativa que os democratas contavam a si mesmos —de que representavam a verdadeira maioria nos EUA, mas que as manobras republicanas os mantinham fora do poder— já não é verdadeira, se é que algum dia foi. Agora, eles têm uma participação eleitoral menor.

Dez anos após o início da era Trump, os democratas ainda o subestimam. Sua habilidade em armar ciladas para eles é extraordinária. Veja a iminente votação no Congresso sobre o financiamento anual do governo: os democratas terão de escolher entre mais cortes na ajuda externa e fechar o governo. Ou o envio de tropas às cidades, supostamente para combater o crime. Os democratas denunciam o abuso do Poder Executivo; Trump os coloca do lado dos criminosos e do perigo. Ou os ataques de drones contra supostos traficantes de drogas. É difícil se opor à ausência de devido processo legal sem soar como defensor de gangues violentas.

Eles sozinhos podem resolver isso

Os democratas têm escolhas sobre cair ou não nessas armadilhas. Muitos deles pensam, com razão, que Trump representa um perigo para os valores democráticos do país e concluem que isso, por si só, deveria torná-lo tóxico para a maioria dos eleitores. Infelizmente, não é o caso. Em vez disso, a pergunta que os democratas precisam continuar se fazendo é esta: por que os eleitores acham que eles são os extremistas —e não o homem que tenta instaurar o governo de um só?



Fonte CNN BRASIL

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