Drones da Rússia invadem Polônia e mobilizam a Otan – 09/09/2025 – Mundo

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Um novo mega-ataque de Vladimir Putin contra a Ucrânia gerou alarme e pânico na Polônia, país da Otan vizinho da nação invadida pelo russo em 2022. Diversos drones lançados contra os ucranianos cruzaram o espaço aéreo polonês, provocando uma resposta inédita.

A intrusão provocou o primeiro fechamento de um aeroporto comercial polonês devido a drones russos, em Rzézow, cidade a cerca de cem quilômetros da fronteira que abriga um importante centro de distribuição de ajuda militar ocidental para a Ucrânia.

A Força Aérea da Polônia lançou caças F-16 para interceptar drones. A mídia ucraniana relata que ao menos dois aparelhos foram abatidos, o que os tornaria os primeiros alvos russos atingidos diretamente pelo país da Otan na guerra.

Além disso, decolaram rumo à região uma aeronave italiana de vigilância, além de um caça F-35 dos Estados Unidos e um avião-tanque A330-MRTT da Holanda. O avião americano foi reabastecido sobre a Polônia, segundo monitores de tráfego aéreo.

A ação começou no fim da noite desta terça-feira (9) e se prolonga pela madrugada de quarta, no horário local, cinco horas à frente do de Brasília. Ainda há muita confusão, e o pânico permeia mensagens de canais de Telegram usados na região.

Havia relatos de até 120 drones cruzando a Belarus, aliada do Kremlin, em direção a Varsóvia —o que parece um exagero, a não ser que Putin tenha resolvido iniciar uma guerra contra a aliança militar ocidental, algo impensável do ponto de vista racional. Em nota inicial, os militares poloneses falaram apenas em alerta máximo, mas enfatizam que se trata de efeito colateral de um ataque à Ucrânia.

Os monitores associados à Força Aérea de Volodimir Zelenski afirmam que ao menos 13 aparelhos violaram o espaço aéreo polonês, número bem maior do que os usuais 1 ou 2 que caem no território quando a Rússia lança ondas muito volumosas de drones e mísseis contra a região oeste do rival.

No domingo (7), Putin havia lançado o maior ataque aéreo da guerra até aqui, com 810 drones e 13 mísseis disparados contra a Ucrânia. Pela primeira vez, atingiu um prédio central do governo local, no caso o que abriga os ministérios em Kiev.

Além da ação na Polônia, as aeronáuticas das também membros da Otan Eslováquia e Romênia também entraram em alerta, com relatos de intrusões pontuais —que, assim como no caso polonês, também já ocorreram em outras oportunidades.

A Polônia é um dos países mais refratários a qualquer acomodação com os russos, até por motivos históricos —na Segunda Guerra Mundial, o país foi dividido entre Moscou e Berlim, passando depois a Guerra Fria sob controle político da União Soviética.

Com efeito, é dos 32 membros da Otan o que mais gasta proporcionalmente com defesa, ultrapassando 4% do Produto Interno Bruto. A aliança colocou 5% como meta para o fim da década, algo bem distante da realidade e do objetivo atual, de 2%.

O clima na Ucrânia era de apreensão. Há a expectativa de que ao menos 700 drones, entre modelos suicidas de ataque e iscas para defesa aérea, sejam empregados nesta madrugada.

Além disso, havia por volta da 1h de Kiev (20h em Brasília) seis bombardeiros estratégicos Tu-95 e um Tu-160, modelos capazes de lançar mísseis de cruzeiro subsônicos e supersônicos. No mar de Azov, lançadores de mísseis de cruzeiro Kalibr também estavam posicionados.

Moscou e Kiev têm escalado a guerra aérea desde que Donald Trump voltou ao poder nos EUA, introduzindo um vaivém de pressões diplomáticas para tentar fazer um acordo de paz na região. Até aqui, o movimento mais recente, que envolveu reunião do americano com Putin e com Zelenski, separadamente, não deu resultado.

Nesta terça, o jornal britânico Financial Times disse que Trump está pressionando a Europa a aplicar sobretaxas de importação de 100% à China e à Índia, prometendo fazer o mesmo, para pressionar Moscou. Ambos os países do Brics são os maiores compradores do petróleo russo, financiando a guerra.

Na semana passada, Putin, o chinês Xi Jinping e o indiano Narendra Modi se reuniram na China, e refutaram a política de sanções ocidentais.



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