Portugal: Chega está próximo de comandar 1º município – 11/10/2025 – Mundo

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A deputada Rita Matias, 27, é uma exceção dentro do Chega, legenda que representa a ultradireita em Portugal. Todos os políticos do partido que ousaram fazer sombra ao líder André Ventura foram expulsos ou saíram após brigas internas e “bullying” do chefe.

Matias, ao contrário, tem a confiança de Ventura. Nas eleições marcadas para este domingo (12), ela recebeu do líder uma missão estratégica: tornar-se a primeira integrante da ultradireita a comandar um município em Portugal.

O Chega —segundo maior partido na Assembleia da República, o Parlamento português, com 60 deputados— não tem nenhum filiado a presidir uma Câmara Municipal, cargo que equivale ao de prefeito no Brasil.

No pleito deste domingo, Rita Matias disputa o cargo em Sintra, município da Área Metropolitana de Lisboa que é o segundo maior do país em população, atrás apenas da capital. Ela tem chances de vitória: as pesquisas mostram a ultradireitista num empate técnico com os candidatos do Partido Social Democrata, de centro-direita, e do Partido Socialista, de centro-esquerda.

“Sintra é uma área geográfica extremamente diversificada em termos socioeconômicos, com zonas de residência da classe alta e bairros suburbanos de alta concentração de imigração pobre, principalmente das comunidades islâmicas”, diz o historiador italiano Riccardo Marchi, autor de um livro sobre o Chega e orientador de Rita Matias no mestrado.

“Tem, assim, todos os ingredientes para maximizar a agenda de protesto do Chega, que inclui um alerta contra a substituição populacional como ameaça à identidade cultural”.

O discurso anti-imigração, com toques de xenofobia, tem sido o mote da campanha de Rita Matias. “Não queremos ver mais mulheres a desfilar de hijabs por Sintra”, escreveu a candidata em uma rede social, referindo-se ao véu usado pelas muçulmanas para cobrir a cabeça e o pescoço. “Não podemos continuar a alimentar comunidades paralelas que vivam à margem da sociedade.”

Uma de suas promessas de campanha é repatriar imigrantes através de um programa chamado “Regresso Feliz”.

Em julho deste ano, Rita Matias esteve no centro de uma polêmica quando leu, num vídeo postado nas redes, a lista de presença de uma creche lisboeta. O objetivo era mostrar que a maior parte dos sobrenomes tinha origem árabe ou indiana. A exposição de crianças revoltou parlamentares de direita e de esquerda.

O Ministério Público português abriu um inquérito contra a deputada e contra André Ventura, que leu a mesma lista na Assembleia da República. Eles podem ser processados por violação do anonimato de menores e infração ao Regulamento Geral de Proteção de Dados. Procurada pela reportagem através de sua assessoria, Rita Matias não retornou as mensagens da Folha.

A aposta do Chega em Rita Matias se deve a vários fatores. “Pelo conhecimento pessoal que tenho dela, posso salientar como pontos de vantagem a ótima aparência física, que hoje ajuda imenso na política de imagem; a boa capacidade dialética, mesmo em momentos de debate polarizado; e a habilidade em beber exemplos de conteúdos de comunicação de várias fontes bem-sucedidas de líderes homólogos”, diz Riccardo Marchi.

A admiração pela primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, rendeu a Rita Matias uma acusação de plágio por parte do Polígrafo, uma plataforma portuguesa de checagem. De acordo com o site, a deputada reproduziu, num discurso para um congresso do Chega em 2021, trechos de uma fala da italiana no Congresso Mundial da Família, em 2019. Matias negou o plágio em entrevistas dadas na época da acusação.

A atual candidata à Câmara de Sintra é filha de Manuel Matias, um dos fundadores do Partido Pró-Vida, sigla da direita religiosa portuguesa que acabou absorvida pelo Chega. Ela segue o pai na militância contra o aborto e, além da agenda anti-imigração, define-se como antifeminista, argumentando que o movimento “ignora a complementaridade entre homens e mulheres”.

Rita Matias é também uma das coordenadoras das redes sociais do Chega, onde definiu um estilo: dobrar a aposta quando o partido recebe críticas e nunca pedir desculpas.

Na quarta-feira (8), Matias repostou nas redes sociais o vídeo em que lia os nomes das crianças da creche, encobrindo com um apito os sobrenomes não-portugueses. Abaixo, escreveu: “Pediram-me em tribunal para ‘suprimir’ o nome de uma criança. Fui mais longe: ‘suprimi’ todos os nomes estrangeiros. E não é que o problema ficou ainda mais evidente? Porque neste país a única coisa que o governo e a extrema esquerda suprimem bem são as vagas nas creches para as crianças de famílias portuguesas”.



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