O presidente da BBC, Samir Shah, pediu desculpas nesta segunda-feira (10) por um “erro de julgamento” na edição de um discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A declaração ocorre um dia após o diretor-geral e a chefe de jornalismo da emissora —Tim Davie e Deborah Turness, respectivamente— renunciarem aos seus cargos devido a denúncias de que a emissora pública britânica desrespeitou suas próprias diretrizes e padrões jornalísticos.
A polêmica envolve principalmente a edição de um discurso de Trump antes da invasão do Capitólio em 2021, que foi editada pela BBC para acoplar dois trechos quase uma hora distantes entre si. A cena foi transmitida em um programa da emissora dias antes das eleições de 2024.
Shah disse, em uma carta a parlamentares britânicos, que a BBC reconhece que a edição deveria ter sido tratada com mais cuidado. Ele afirmou que o caso havia sido revisado internamente no início deste ano, mas que a emissora deveria ter tomado medidas formais naquela ocasião.
Além de juntar os trechos distantes, a declaração veiculada retirou, entre outras frases de Trump, o momento em que o presidente diz aos manifestantes que eles caminhariam “patriótica e pacificamente para fazermos com que escutem nossas vozes”.
Shah disse que a emissora reconheceu que a forma como o discurso foi editado “deu a impressão de um chamado direto à ação violenta”. “A BBC gostaria de pedir desculpas por esse erro de julgamento”, escreveu.
“Está absolutamente claro que a BBC deve defender a imparcialidade”, escreveu Shah, acrescentando que a emissora está comprometida em restaurar a confiança do público.
A BBC também informou nesta segunda que recebeu uma carta do presidente americano ameaçando tomar medidas legais em relação ao caso. Shah afirmou que a emissora ainda analisa como responder a Trump.
A denúncia de manipulação foi feita por Michael Prescott, ex-consultor independente do Comitê de Diretrizes e Padrões Editoriais (EGSC, em inglês) da BBC, ao conselho da emissora.
O documento contém ainda uma lista de reportagens e acusações de cobertura supostamente tendenciosa contra Israel sobre a guerra na Faixa de Gaza.
Prescott foi convocado a prestar depoimento ao Parlamento britânico. As acusações pressionam a BBC, que em 2027 terá de renovar as diretrizes, objetivos e regulações da emissora previstas pela legislação —a revisão ocorre periodicamente.
Kemi Badenoch, líder do Partido Conservador, de oposição ao governo trabalhista de Keir Starmer, afirmou que a nova liderança da emissora precisará entregar uma “reforma genuína da cultura da BBC”.




