O ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Larry Summers, está deixando os cargos de professor em Harvard e diretor de uma das escolas de negócios da universidade, informou um porta-voz nesta quarta-feira (19), em meio às repercussões de vínculo do docente com Jeffrey Epstein.
Summers, também ex-presidente da Universidade Harvard, era diretor do Centro Mossavar-Rahmani para Negócios e Governo na Escola Kennedy de Harvard.
Um porta-voz de Summers, Steven Goldberg, disse que os co-professores do ex-secretário completarão o semestre para três cursos em andamento. “O Sr. Summers decidiu que é do melhor interesse do centro que ele se afaste de seu papel como diretor enquanto Harvard realiza sua revisão”, disse.
Mais cedo, ainda na quarta, Harvard afirmara ter aberto uma investigação sobre as conexões de Summers com Jeffrey Epstein, segundo publicação da Harvard Crimson, o jornal universitário da instituição.
Em comunicado, o porta-voz Jonathan Swain afirmou que a “universidade está conduzindo uma revisão das informações sobre indivíduos de Harvard incluídos nos documentos de Jeffrey Epstein recentemente divulgados para avaliar quais ações podem ser necessárias”.
Summers havia dito ao jornal estudantil na segunda (17) que se afastaria de todos os seus compromissos públicos, dias após o presidente americano, Donald Trump, ordenar ao Departamento de Justiça a abertura de uma investigação sobre seus laços e de outros democratas proeminentes com Epstein.
Também nesta quarta, Summers anunciou sua renúncia ao cargo que ocupava no conselho diretor da OpenAI.
Um comitê da Câmara dos Representantes americana divulgou milhares de arquivos relacionados a Epstein na quarta passada (12), incluindo documentos que mostravam correspondência pessoal entre Summers e Epstein.
A investigação da universidade examinará todos os outros afiliados de Harvard implicados nos documentos divulgados, incluindo a esposa de Summers e cerca de dez outras pessoas ligadas à instituição atualmente ou no passado, segundo o jornal estudantil.
O Harvard Crimson afirma ainda que a investigação vai abranger qualquer nova informação revelada nos arquivos que vieram à tona, incluindo as centenas de mensagens que Summers e Epstein trocaram sobre mulheres, política e iniciativas relacionadas à universidade.
A agência Reuters não pôde verificar imediatamente os relatos do jornal universitário. Procurados pela agência de notícias, Harvard e o escritório de Summers não responderam a pedidos de comentários.
O Congresso dos EUA, controlado pelos republicanos, aprovou de forma quase unânime, na terça (18), a divulgação dos arquivos do Departamento de Justiça sobre Epstein —decisão que Trump manifestou contrariedade até mudar abruptamente de decisão nesta semana, indicando então que seu partido aprovasse a divulgação dos materiais.
A questão tem sido uma pedra no sapato de Trump. Muitos eleitores do republicano acreditam que seu governo encobriu os laços de Epstein com figuras poderosas e manteve nebulosos os detalhes sobre sua morte, que foi considerada suicídio, em uma prisão de Manhattan em 2019.
O republicano, por sua vez, também muito citado nos emails do financista morto em 2019, afirmou não ter nenhuma ligação com os crimes de Epstein.
Harvard e Trump entraram em rota de colisão neste primeiro ano do segundo mandato do republicano. A universidade mais antiga do país e uma das mais importantes do mundo foi uma das poucas instituições de ensino que resistiu às pressões e ameaças de corte de verbas federais feitas por Trump neste ano.
O presidente afirmou recentemente que havia fechado um acordo de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) com Harvard para restaurar fundos federais congelados em troca de concessões ideológicas e mudanças na estrutura da universidade, acusada pelo governo de não fazer o bastante para coibir antissemitismo no campus —o que a instituição rejeita.




