O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou às manchetes ao associar o ataque de um afegão a homens da Guarda Nacional operando em Washington à imigração. Disse que iria proibir a entrada de pessoas “do Terceiro Mundo” no seu país.
Nesta sexta-feira (28), ao ser questionado pela agência Reuters sobre a quem o republicano se referia, o Departamento de Segurança Interna dos EUA mandou os repórteres checarem a lista de 19 nações cujos cidadãos têm sua entrada vetada pelos americanos.
Quais são os países da lista de veto dos EUA e por que associá-los ao Terceiro Mundo?
São eles Afeganistão, Mianmar, Chade, Guiné Equatorial, República do Congo, Eritréia, Haiti, Irã, Líbia, Somália, Sudão, Iêmen, Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão e Venezuela.
Como se vê, é uma lista de países imersos em conflitos, marcados por pobreza ou adversários ideológicos de Washington. Em alguns casos, as duas ou três qualificações se aplicam, como no Afeganistão.
Desta forma, o “Terceiro Mundo de Trump” apenas se apropria de forma preconceituosa do termo original, que remonta à Guerra Fria.
Ele foi cunhado em 1952 pelo historiador e antropólogo francês Alfred Sauvy em um artigo na revista L’Observateur.
O acadêmico se referia à massa de países laterais nas relações internacionais, que não eram nem integrantes do centro capitalista liberal do eixo EUA-Europa, nem ao mundo socialista comandado pela União Soviética.
Sauvy os comparava ao antigo Terceiro Estado, o povo na definição vigente à época da Revolução Francesa (1789), em oposição ao Primeiro (o clero) e ao Segundo (a nobreza).
O Brasil, por exemplo, era considerado um expoente do Terceiro Mundo.
Por que o Terceiro Mundo caiu em desuso?
A complexidade geopolítica atual e o fim do bloco comunista, regime que subsiste apenas em cinco países, mas que inclui a superpotência econômica China, tornou a definição obsoleta.
Ela foi partida em diversas subcategorias, a maior parte delas ligada à inserção econômica e à potencialidade de seus mercados para a finança internacional. Assim, surgiram termos como países em desenvolvimento ou emergentes, usualmente marcas usadas para a venda de produtos como fundos de investimento.
Mais recentemente, ganhou tração em setores à esquerda o termo Sul Global, de conotação mais política, que une países com agendas díspares, do Brasil de Lula (PT) à Rússia de Vladimir Putin.
Usualmente, o discurso deles acaba sendo percebido como antiamericano, e, apesar de pregar a isonomia nas relações globais, na prática esses países acabam orbitando mais o polo chinês da Guerra Fria 2.0, lançada por Trump em 2017 como uma reação à assertividade de Xi Jinping em Pequim.




