Perdão a narcotraficante expõe contradições de Trump – 30/11/2025 – Mundo

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O presidente americano Donald Trump e seus principais assessores afirmaram que os cartéis de drogas representam um dos perigos mais urgentes para os Estados Unidos e prometeram erradicá-los do Hemisfério Ocidental.

Como parte desse esforço, Trump sinalizou neste sábado (29) que estava intensificando sua campanha contra esses grupos, dizendo em uma postagem nas redes sociais que o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela deveria ser considerado “fechado em sua totalidade”.

Menos de 24 horas antes, Trump havia anunciado nas redes sociais que estava concedendo perdão total a Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras que havia sido condenado nos Estados Unidos por acusações de tráfico de drogas, no que foi visto como uma grande vitória para as autoridades em um caso contra um ex-chefe de Estado. Esse perdão ainda não foi oficialmente concedido.

As duas postagens exibiram uma notável dissonância na estratégia do presidente, que intensificou uma campanha militar contra o tráfico de drogas enquanto ordenava a libertação de um homem que, segundo os promotores, aceitou “subornos alimentados por cocaína” de cartéis e “protegeu suas drogas com todo o poder e força do Estado — militares, polícia e sistema de justiça”. De fato, os promotores afirmaram que Hernández, durante anos, permitiu que tijolos de cocaína da Venezuela fluíssem por Honduras em direção aos Estados Unidos.

O senador democrata Tim Kaine, do estado da Virgínia, chamou o perdão de inaceitável e disse que as ações de Trump eram mais evidências de uma “narrativa falsa” em torno de sua estratégia para combater drogas ilícitas.

“Isso mina completamente o argumento do governo de que eles realmente se importam com o narcotráfico, e isso levanta a questão do que realmente está acontecendo com a operação na Venezuela”, disse ele.

A gestão Trump tem lutado para fornecer uma justificativa estratégica clara para explicar por que acumulou uma presença militar tão grande no Caribe. O presidente apontou mais frequentemente para operações antinarcóticos, mas o tamanho das forças americanas na região sugere ambições maiores. Em privado, o presidente demonstrou interesse nas reservas de petróleo da Venezuela, enquanto ele e seus assessores também disseram que querem derrubar o presidente Nicolás Maduro.

Em um comunicado, Trump disse que concedeu o perdão a Hernández porque “muitos amigos” pediram que ele o fizesse, acrescentando: “Eles lhe deram 45 anos porque ele era o presidente do país — você poderia fazer isso com qualquer presidente de qualquer país”.

Depois que Trump deixou o cargo, ele foi condenado por 34 acusações de falsificação de registros comerciais, relacionadas ao reembolso de dinheiro pago à atriz pornô Stormy Daniels para encobrir um escândalo sexual em torno da eleição presidencial de 2016.

“Ao proteger a fronteira e atacar narcotraficantes designados que contrabandeiam drogas para matar americanos, o presidente indubitavelmente fez mais do que qualquer pessoa para enfrentar o flagelo das mortes por drogas ilícitas”, disse Anna Kelly, porta-voz da Casa Branca, em um comunicado.

Nas últimas semanas, altos funcionários deixaram claro que a gestão está focada em enfrentar os cartéis de drogas no Caribe e na América do Sul.

“Vamos garantir que o povo americano esteja seguro e protegido do crime organizado transnacional”, disse Stephen Miller, um dos principais conselheiros de Trump, a repórteres no início deste mês. “A Venezuela é administrada por uma rede narcoterrorista que trafica drogas, armas e também pessoas para os Estados Unidos.”

E pouco mais de duas horas após o anúncio de Trump sobre o perdão a Hernández, o secretário de Defesa Pete Hegseth publicou nas redes sociais: “Apenas começamos a matar narcoterroristas.”

Nos últimos meses, os Estados Unidos têm aumentado sua presença militar no Caribe, como parte de uma campanha que, segundo a Casa Branca, visa principalmente interromper o fluxo de drogas na região. O Exército americano lançou quase duas dezenas de ataques desde o início de setembro contra barcos que, segundo eles, transportavam drogas para os Estados Unidos, matando mais de 80 pessoas. Mas ao governo ainda não detalhou evidências.

“Hernández foi condenado por conspirar para traficar 400 toneladas de cocaína para os Estados Unidos, e ele recebe um perdão”, disse Tommy Vietor, ex-porta-voz do Conselho de Segurança Nacional na administração Obama, que agora co-apresenta o podcast liberal “Pod Save America”.

“Enquanto isso, esses indivíduos desconhecidos, que podem ou não ser pescadores ou traficantes de drogas — não sabemos realmente — estão sendo assassinados em alto-mar. A política é sem sentido e flagrantemente ilegal.”

Trump também tem pressionado intensamente Maduro, acusando-o de ser o chefe de uma organização de drogas chamada Cartel de los Soles, embora especialistas em questões criminais e de narcóticos da América Latina afirmem que não se trata de uma organização real. Trump também autorizou ação secreta da CIA na Venezuela, e muitos funcionários americanos dizem em particular que seu objetivo é expulsar Maduro do poder.

A decisão do presidente de perdoar Hernández chocou autoridades em Honduras e nos Estados Unidos. Os promotores haviam pedido ao juiz que garantisse que Hernández, 57, morresse atrás das grades, citando seu abuso de poder, conexões com traficantes violentos e “a destruição inimaginável” causada pela cocaína. Ele foi condenado a 45 anos de prisão, e sua condenação veio como parte de um amplo caso de drogas no qual vários ex-traficantes depuseram como testemunhas do governo.

A família de Hernández tentou retratar sua condenação como perseguição política, buscando conquistar Trump. Mas grande parte da investigação ocorreu durante o primeiro mandato de Trump, e um dos principais investigadores do caso foi Emil Bove III, então promotor do Distrito Sul de Nova York e posteriormente um dos advogados pessoais de Trump. Trump instalou Bove como um alto funcionário no Departamento de Justiça em seu segundo mandato antes de nomeá-lo para servir como juiz de tribunal de apelações.

Ricardo Zuniga, ex-secretário assistente adjunto principal no Departamento de Estado para o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, disse que era “bastante evidente” que Hernández estava envolvido em atividades criminosas durante vários governos americanos.

“Eu ficaria surpreso se você não encontrasse várias pessoas no espaço pró-Trump, incluindo a comunidade de aplicação da lei, que não estão chocadas com isso”, disse ele.



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