O presidente Lula (PT) ligou nesta terça-feira (2) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonema no qual trataram do combate ao crime organizado. Sem citar as interferências do país na Venezuela, o brasileiro pediu cooperação dos EUA no tema.
A chamada desta terça, que durou 40 minutos, também tratou de temas da agenda comercial e econômica, segundo o Planalto. Lula indicou ter sido “muito positiva” a decisão dos EUA de retirar a tarifa adicional de 40% imposta a alguns produtos brasileiros, como carne, café e frutas.
“[Lula] Destacou as recentes operações realizadas no Brasil pelo governo federal com vistas a asfixiar financeiramente o crime organizado e identificou ramificações que operam a partir do exterior. O presidente Trump ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas”, diz nota do governo brasileiro.
Os dois presidentes concordaram em voltar a conversar em breve sobre o andamento dessas iniciativas.
Donald Trump rejeitou uma série de pedidos feitos pelo ditador Nicolás Maduro durante a ligação telefônica que tiveram há pouco mais de duas semanas e, do ponto de vista americano, o venezuelano está ficando sem opções que não envolvam sua renúncia e o abandono do país. É o que dizem quatro pessoas próximas às negociações ouvidas pela agência de notícias Reuters.
A ligação, realizada em 21 de novembro, ocorreu após meses de crescente pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela, incluindo ataques contra barcos supostamente usados para o tráfico de drogas no Caribe, repetidas ameaças de Trump de estender as operações militares para terra e a designação do Cartel de los Soles, um grupo que, segundo Washington, é liderado por Maduro, como organização terrorista.
Lula destacou que ainda há outros produtos tarifados que precisam ser discutidos entre os dois países e que o Brasil deseja avançar rápido nessas negociações.
A pauta de combate ao crime organizado ganhou mais força política após a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos. Na ocasião, o governador Cláudio Castro (PL) travou embates com o governo federal, alegando falta de amparo da gestão de Lula para a segurança pública dos estados.
Em reação, o governo tratou de acelerar o andamento de pautas de autoria da gestão petista no Congresso Nacional.
Os principais carros-chefes são a PEC da Segurança Pública, proposta pelo ministro Ricardo Lewandowski (Justiça), que centraliza no Executivo algumas diretrizes de segurança que os estados devem seguir. A pauta sofre com resistências de governadores.
Junto a ela, o PL Antifacção foi um dos principais objetos de embate e discussão política entre governo e oposição, após mudanças feitas no texto de Lewandowski pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de segurança licenciado de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Documento da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) sobre os desafios da instituição para o próximo ano apontou que a interferência externa e a atuação do crime organizado como riscos para o processo eleitoral de 2026.
As conclusões estão no documento “Desafios da Inteligência —Edição 2026”, relatório em que a Abin apresenta à sociedade e às autoridades com sua avaliação sobre os riscos diretos e indiretos à segurança do país no próximo ano.




