Badi Assad encontra artistas de sua geração em novo disco – 09/12/2025 – Ilustrada

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Em “Parte de Tudo Isso”, seu novo disco, Badi Assad buscou desenhar um mapa. A instrumentista, cantora e compositora abriu uma roda em torno de si e chamou seus contemporâneos —artistas nascidos nos anos 1960, como ela— para compor as canções de um autorretrato coletivo.

O convite —feito a Adriana Calcanhotto, Zeca Baleiro, Chico César, Pedro Luís, Otto, Moska, Ceumar, André Abujamra, Nando Reis, Zélia Duncan e Ana Costa— reúne uma geração que ajudou a reorganizar a gramática da música brasileira entre o fim do século 20 e o início do 21. Mas o centro magnético da roda é Badi: sua voz, seu violão, sua imaginação e sua musicalidade atravessam as dez faixas.

O conceito que guiou o álbum não estava nos planos iniciais. “Eu tinha uma ideia que era fazer algo mais óbvio: uma leitura de comemoração de 35 anos, com as músicas mais marcantes da carreira”, conta Badi, adiantando que está preparando também esse disco.

Uma conversa com Marcus Preto —que assina a produção do disco ao lado de Tó Brandileone— reorganizou o projeto. “Ele disse que seria bom fazer um álbum de inéditas para marcar meus próximos anos, plantar as sementes do meu futuro”, lembra a artista. “Isso bateu em mim num lugar muito bonito”.

O recorte a partir de sua geração apareceu logo depois. “Temos influências semelhantes e somos os influenciadores das outras gerações que vieram após a gente”, explica Badi. Vieram parceiros antigos e novas aproximações. “A música com Pedro Luís já existia. Eu estava compondo com o Abujamra e com o Otto ao mesmo tempo. A Zélia mandou uma música com a Ana Costa. O Zeca Baleiro mandou duas”. Com Moska, se deu algo inédito: “É a primeira vez que alguém compõe uma música para eu gravar.”

Enquanto essas músicas chegavam, Badi passou a olhar sua própria geração com um interesse renovado —não como um movimento, mas como um conjunto que, reunido, ganha contorno. “Não tem um movimento, né?”, avalia. “Mas se você começa a olhar essa galera que está no disco, é bonito ver como cada um deles desenvolveu um estilo musical próprio. A música que o André Abujamra faz não tem nada a ver com a música que a Ceumar faz. Mas são da mesma geração.”

A gravação seguiu o mesmo espírito de abertura e espontaneidade que marca sua geração. “Fomos pro estúdio com minha voz e meu violão em demo, e o arranjo foi feito ali, com todos juntos”, diz Badi. No centro desse processo estava Tó Brandileone, que funcionou menos como maestro e mais como quem regula a respiração da banda —Débora Gurgel no piano, Serginho Machado na bateria e Fábio Sá no baixo. “Foi muito bonito ver como ele conduz”, diz a artista.

Seu violão, que acompanha cada dobra de sua trajetória, encontrou novas frestas. Por exemplo, em “Tororó”, parceria de Vicente Barreto e Zeca Baleiro, Badi interrompeu a gravação para aprender com Tó a fazer no violão um “resfolego” —efeito que se ouve na sanfona. “Fiquei ali estudando: ‘Me dá 15 minutos para eu aprender esse negócio aqui’”. É um detalhe, mas que revela a disposição permanente de seguir aprendendo —mesmo no disco que marca 35 anos de carreira.

O violão de Badi que se ouve no disco carrega décadas de estrada e sua natureza inventiva, mas também a memória de um trauma transformador ocorrido há pouco mais de 20 anos. “Eu tive uma distonia focal, uma síndrome neurológica que me tirou o violão das mãos”, lembra a artista. “Os médicos na época disseram que eu nunca mais ia voltar a tocar. Mas me autocurei com muitas terapias”.

Quando recuperou os movimentos e o violão voltou às mãos, Badi já não era mais a mesma. “Eu experimentei aquela morte de algo em mim. Então, quando o violão voltou para as minhas mãos, eu já tinha ido para outro lugar com a minha cabeça”.

Nesse intervalo, a voz se tornou âncora. A cantora —que antes dividia espaço com a violonista— ganhou uma importância maior em seu trabalho. “Aí naquele momento, a minha percepção enquanto artista mudou. Porque pensei que se o violão desaparecesse, eu desapareceria também. Então, a voz me deu uma força muito grande”.

A escrita e a interpretação também se transformaram: “Compor me ajudou muito. E a cantora, a intérprete, porque eu comecei a interpretar de outra forma”. Depois da travessia, veio a maturidade da voz nova. O produtor Preto definiu com nitidez ao convidar Tó para “Parte de Tudo Isso”, como nota Badi. “Ele falou: ‘A gente quer um disco de uma cantora de MPB’. Eu acho que cheguei nesse meu momento”.



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