Trump usa ameaça de separação para forçar deportações – 12/12/2025 – Mundo

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O email de um agente de imigração dos Estados Unidos apresentou a Kelly e Yerson Vargas uma escolha dura: aceitar a deportação para a Colômbia, sua terra natal, ou correr o risco de serem acusados de um crime e separados de sua filha de 6 anos, Maria Paola.

Os Vargas, detidos em um centro de detenção no Texas, já haviam recebido uma ordem de deportação e foram pressionados a embarcar em voos para a Colômbia. Eles resistiram porque haviam apresentado pedidos de visto como vítimas de tráfico humano, dizendo que enfrentaram trabalho forçado e ameaças de morte de membros de cartéis no México enquanto transitavam para os EUA.

No email de 31 de outubro, o agente de imigração ameaçou processá-los por não cumprirem a ordem de deportação, um estatuto raramente usado que poderia levar a dez anos de prisão.

O caso deles ilustra como a ampla repressão à imigração pelo presidente dos EUA, Donald Trump, está recorrendo cada vez mais a ameaças de separar famílias e outras táticas agressivas para pressionar pessoas a aceitar a deportação —mesmo que tenham apresentado pedidos legais que, em governos anteriores, lhes permitiriam permanecer no país, segundo imigrantes, advogados, atuais e ex-funcionários e registros judiciais consultados pela Reuters.

Essas táticas incluem ameaças de prisão por resistir a uma ordem de deportação ou por cruzar a fronteira ilegalmente — crimes que antes eram raramente motivo de processo e que resultariam na separação de crianças —, além de detenção prolongada sem chance de pedir liberdade e deportação para países distantes sem qualquer vínculo, segundo constatou a Reuters.

A Reuters conversou com 16 advogados de imigração, que coletivamente representam centenas de clientes, e outras pessoas com ampla visibilidade sobre o crescente uso, pelo governo Trump, de táticas duras para forçar imigrantes a aceitar deportações.

O assessor da Casa Branca para a fronteira, Tom Homan, defendeu a abordagem da atual gestão. “Estamos usando todas as ferramentas disponíveis”, disse Homan à Reuters em entrevista. “Tudo o que estamos fazendo é legal.”

PRESOS E PRESSIONADOS A SEREM DEPORTADOS

Os Vargas decidiram abandonar seus pedidos de visto e embarcar em um voo de deportação em novembro, em vez de correr o risco de serem separados, com Maria Paola colocada no sistema federal de abrigos para crianças migrantes desacompanhadas.

“Eu tinha medo de que me colocassem na prisão e cumprissem todas as ameaças que fizeram”, disse Kelly Vargas.

A porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês), Tricia McLaughlin, disse que a família havia recebido uma ordem de deportação em 2024, teve o recurso negado e recebeu todo o devido processo legal. Ela não comentou sobre o pedido de visto para vítimas de tráfico humano.

Quando questionada sobre o caso dos Vargas e de outra família ameaçada com acusações federais e separação, McLaughlin disse que os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) não ameaçam pessoas e informam adequadamente que elas podem ser alvo de acusações federais.

“Esses estrangeiros ilegais infringiram a lei e foram avisados de que enfrentariam as consequências por seus crimes”, disse ela.

Defensores de imigrantes e outros críticos afirmam que os Vargas e outros com reivindicações potencialmente legítimas para permanecer nos Estados Unidos estão presos no que equivale a um jogo de números. O governo Trump afirmou que pretende deportar 1 milhão de pessoas por ano, mas provavelmente não alcançará essa meta, dadas as tendências atuais.

O DHS disse na quarta-feira (10) que o governo deportou mais de 605 mil pessoas desde que Trump assumiu o cargo, em janeiro, o que coloca a gestão no ritmo de terminar o ano com menos de 700 mil deportações.

Elora Mukherjee, diretora da Clínica de Direitos dos Imigrantes da Faculdade de Direito da Universidade Columbia, que representou a família Vargas, disse que a “crueldade calculada” da gestão Trump estava forçando pessoas a escolherem a deportação.

“Meus clientes detidos, de Nova Jersey ao Texas, relatam condições de detenção lotadas, desumanas e degradantes, algumas tão insuportáveis que estão desistindo de seus casos de imigração”, disse ela.

DEPORTAÇÕS VOLUNTÁRIAS DISPARAM NO GOVERNO TRUMP

À medida que o governo Trump tem pressionado por mais deportações, também tentou deter mais imigrantes enquanto seus casos são analisados.

O número de pessoas em custódia do ICE aumentou cerca de 70% desde que Trump assumiu o cargo, chegando a quase 66 mil em novembro de 2025, mostram dados do governo.

Antes, aqueles sem antecedentes criminais tinham boas chances de serem liberados enquanto aguardavam decisões sobre seus pedidos de asilo e outras reivindicações.

O ICE mudou sua posição em julho para argumentar que essencialmente todos os imigrantes detidos eram inelegíveis para fiança, um pagamento reembolsável feito ao governo para garantir a libertação de alguém.

Em novembro, um juiz federal na Califórnia bloqueou a nova interpretação da lei pelo ICE. No entanto, alguns imigrantes —informados de que poderiam enfrentar meses ou anos de detenção enquanto seus casos avançavam nos tribunais de imigração sobrecarregados— já haviam concordado em deixar o país, disseram à Reuters estrangeiros deportados e advogados.

Entre os que desistiram de seus casos estavam uma trabalhadora rural guatemalteca que deixou para trás o marido e o filho na Flórida após ser detida em uma operação no local de trabalho; um jardineiro venezuelano que vivia no Texas; um operário equatoriano em Nova York; uma assistente social mexicana no Alabama; e uma estudante de enfermagem hondurenha na Carolina do Norte.

O governo Trump também enviou centenas de pessoas para países com os quais não têm nenhum vínculo, uma tática raramente usada no passado. A simples ameaça de deportação para um terceiro país —inclusive para lugares onde poderiam ser presas— levou algumas delas a desistir de seus casos, segundo relataram imigrantes, familiares e advogados à Reuters. .

Lourival Paulo da Silva, um cidadão brasileiro, vivia nos EUA havia mais de duas décadas quando foi detido por agentes de imigração na Flórida, em setembro, segundo sua enteada, Karina Botts. Ele era casado com uma cidadã americana e estava tentando legalizar sua situação, mostram documentos —um processo demorado porque ele havia entrado nos EUA ilegalmente.

Depois de semanas em detenção, inclusive no remoto acampamento de Everglades, na Flórida, apelidado de “Alcatraz dos Jacarés”, onde adoeceu e recebeu diagnóstico de tuberculose, Silva desistiu, disse Botts.

Um juiz lhe concedeu saída voluntária —uma decisão discricionária que facilita o retorno ao país no futuro—. e ele deixou os EUA em 10 de outubro. Botts disse que Silva está enfrentando dificuldades no Brasil, mas espera que seu visto de imigração por casamento seja aprovado no próximo ano, permitindo seu retorno.

Dados dos tribunais federais de imigração, compilados pelo Transactional Records Access Clearinghouse, uma organização de pesquisa sem fins lucrativos, mostram um salto nas saídas voluntárias aprovadas pelos tribunais.

O número de pessoas que obtiveram saída voluntária enquanto estavam detidas aumentou mais de cinco vezes, chegando a mais de 16 mil nos primeiros oito meses de 2025 — em comparação com o mesmo período do ano anterior, sob Joe Biden. Esses dados não incluem aqueles que desistiram de seus casos e foram deportados por ordem judicial.

O DHS não respondeu a um pedido de comentário sobre o caso de Botts.

Héctor Grillo, um venezuelano de 31 anos que foi detido no Texas no início deste ano antes de ser deportado para a Venezuela, disse que pediu para ser enviado de volta porque estava aterrorizado com a possibilidade de terminar em uma prisão em El Salvador. Um juiz ordenou sua deportação. “Essa foi a maneira mais rápida de escapar daquela tortura.”



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