Conflito entre Camboja e Tailândia é derrota para Trump – 12/12/2025 – Mundo

Conflito entre Camboja e Tailândia é derrota para Trump -


Quando chegou à Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático, em português), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha a agenda cheia –até uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir o tarifaço estava marcada. O encontro mais importante, porém, não se resumiu a um compromisso tradicional, mas a uma mesa em que ele decidiu protagonizar a assinatura de um acordo de paz que para o seu próprio país tem pouco significado.

O documento em questão tratava do fim dos conflitos entre Camboja e Tailândia, países vizinhos que há meses brigam por pontos não demarcados na fronteira terrestre, problema que remonta ao período de colonização francesa.

Mas naquele fim de outubro, Trump estava certo de que a sua mediação entres os primeiros-ministros da Tailândia, Anutin Charnvirakul, e do Camboja, Hun Manet, colocaria um fim na briga que, naquela época, já havia causado a morte de dezenas de pessoas.

Não foi o caso. Na última semana, pouco mais de um mês após os líderes selarem a paz em Kuala Lumpur, na Malásia, sob a bênção do padrinho Trump, tailandeses e cambojanos voltaram a se atacar. Civis e soldados foram mortos no último capítulo da briga, desencadeado pela explosão de uma mina que feriu vários soldados de Bancoc.

A nova fase do conflito cria, então, problemas para o americano. Em primeiro lugar, testa o domínio de Trump sobre uma região que não tem mais os EUA como o único ator a ser acionado em momentos de crise e vive sob intensa influência da China, que tenta expandir seu poder sobre as nações orientais.

A tentativa fracassada de colocar um ponto final no conflito ocorre em um momento em que o líder do regime chinês, Xi Jinping, alia-se a potências da região e se apresenta como saída possível aos países do Sudeste Asiático, que é hoje um tabuleiro de forte competição no xadrez entre Pequim e Washington.

Acontece também em um contexto em que os países se veem asfixiados com a pressão tarifária imposta pelo americano e tentam encontrar saídas. Na primeira negociação com os líderes, a ameaça de Trump de uma alta taxação foi o suficiente para uma trégua inicial. Agora, a Tailândia determinou que usar o tarifaço como instrumento de coerção não será tolerado.

O ministro das Relações Exteriores do país, Sihasak Phuangketkeow, disse que a resolução do conflito deve ser tratada em um universo que não envolva as negociações comerciais em andamento.

Em segundo lugar, o conflito também mina a sua imagem como um negociador eficaz. Quando protagonizou a assinatura do acordo na Asean, Trump ainda colhia os louros de também ter sido o personagem principal do plano para acabar com a complexa e duradoura guerra entre Israel e Hamas.

O passo seguinte deveria ser ainda mais simples, mas tem se provado um problema que, embora menor, tornou-se complicado de controlar.

A dificuldade de manter perene a paz em Gaza –que avança com o acordo, mas tem reveses na implementação e na estabilização do território– vem testando os limites de sua influência sobre aliados e adversários. Agora, a retomada das hostilidades no Sudeste Asiático acentua a percepção de que ele promete mais do que entrega, e que cada recuo complica ainda mais a narrativa de estadista que tenta construir.

Nos dois casos, sua mediação nasce voluntariamente, em uma aposta pessoal de construir a imagem de negociador global e, sobretudo, alimentar a ambição de ser visto como um candidato viável ao Nobel da Paz.

Embora o premiê do Camboja tenha indicado Trump para a honraria no momento da assinatura do acordo, o americano depende de resultados duráveis para sustentar a narrativa de que ele, mesmo sem obrigação legal, foi ator importante para a promoção da paz mundial.

Agora, Trump ensaia uma nova mediação. Pretende ligar para os primeiros-ministros dos países e deve instar os políticos a usarem a via diplomática. Resta saber qual o tamanho de seu fôlego para mediar e solucionar um conflito regional, de baixa intensidade e pequeno demais para um fracasso americano.



Fonte CNN BRASIL

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