O movimento separatista do sul do Iêmen afirmou nesta sexta-feira (2) que pretende realizar um referendo sobre a independência do norte em dois anos, após a tomada de vastas áreas do país no mês passado, uma ação que desencadeou uma disputa entre as potências do Golfo.
O líder do Conselho de Transição do Sul (STC), Aidarous al-Zubaidi, pediu à comunidade internacional que patrocine negociações entre as partes interessadas do sul e do norte sobre um caminho e mecanismos que “garantam os direitos do povo do sul”.
O anúncio ocorre em um momento em que o governo internacionalmente reconhecido, apoiado pela Arábia Saudita, tenta retomar a crucial região de Hadramout do STC, que conta com o apoio dos Emirados Árabes Unidos.
A repentina tomada de vastas áreas do sul e leste do Iêmen pelo STC, no início de dezembro, revelou uma profunda divergência entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos e causou uma grande ruptura na coalizão que luta contra o movimento Houthi, alinhado ao Irã, que controla a capital do Iêmen, Sanaa, e a região noroeste densamente povoada.
Na última sexta (26), o governador de Hadramout, sob o governo internacionalmente reconhecido, afirmou ter lançado uma operação “pacífica” para retomar o controle da área.
Ataques aéreos sauditas atingiram um aeroporto em Hadramout, segundo um porta-voz das tribos da província, e o governador disse que suas forças assumiram o controle da base militar mais importante da região. Naquele momento, o STC afirmou que o bombardeio era uma “séria preocupação” e teve como alvo algumas de suas forças de elite no local.
Hadramout, província produtora de petróleo, faz fronteira com a Arábia Saudita e muitos sauditas proeminentes têm origem na região, o que lhe confere importância cultural e histórica para o reino. Sua captura pelo Conselho de Transição do Sul (STC) no mês passado foi considerada uma ameaça pelos sauditas. Riad não comentou os ataques.




