O presidente Donald Trump disse na noite desta quarta (7), ao The New York Times, que espera que os Estados Unidos administrem a Venezuela e extraiam petróleo de suas enormes reservas por anos, e insistiu que o governo interino do país —todos ex-leais ao agora preso Nicolás Maduro— está “nos dando tudo o que consideramos necessário”.
“Só o tempo dirá”, disse ele, quando questionado sobre quanto tempo a administração exigirá supervisão direta da nação sul-americana, com a ameaça pairante de ação militar americana.
“Vamos reconstruí-la de uma maneira muito lucrativa”, disse Trump durante uma entrevista de quase duas horas. “Vamos usar petróleo e vamos extrair petróleo. Estamos reduzindo os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que eles desesperadamente precisam.”
As declarações de Trump vieram horas depois que autoridades da administração disseram que os Estados Unidos planejam efetivamente assumir o controle da venda do petróleo venezuelano por tempo indeterminado, parte de um plano de três fases que o secretário de Estado Marco Rubio delineou para membros do Congresso.
Enquanto legisladores republicanos têm sido amplamente favoráveis às ações da administração, democratas na quarta-feira reiteraram seus alertas de que os Estados Unidos estavam caminhando para uma intervenção internacional prolongada sem clara autoridade legal.
Durante a extensa entrevista com o The New York Times, Trump não deu um prazo preciso para quanto tempo os Estados Unidos permaneceriam como supervisor político da Venezuela. Seriam três meses? Seis meses? Um ano? Mais? “Eu diria muito mais tempo”, respondeu o presidente.
Ao longo da entrevista, Trump abordou uma ampla gama de tópicos, incluindo o tiroteio fatal do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, em Minneapolis, imigração, a guerra Rússia-Ucrânia, Groenlândia e OTAN, sua saúde e seus planos para futuras renovações na Casa Branca.
Trump não respondeu a perguntas sobre por que reconheceu a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, como nova líder da Venezuela em vez de apoiar María Corina Machado, a líder da oposição cujo partido liderou uma campanha eleitoral bem-sucedida contra Maduro em 2024 e recentemente ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Ele se recusou a comentar quando perguntado se havia falado com Rodríguez.
“Mas Marco fala com ela o tempo todo”, disse ele sobre o secretário de estado. Trump acrescentou: “Vou dizer que estamos em comunicação constante com ela e a administração.”
Trump também não fez compromissos sobre quando seriam realizadas eleições na Venezuela, que tinha uma longa tradição democrática desde o final dos anos 1950 até Hugo Chávez assumir o poder em 1999.
Pouco depois que quatro repórteres do New York Times se sentaram para falar com ele, Trump pausou a entrevista para atender uma ligação do presidente Gustavo Petro da Colômbia, dias depois de Trump ter ameaçado atacar o país por causa de seu papel como centro de cocaína.
Quando a ligação foi conectada, o presidente convidou os repórteres do Times a permanecerem no Salão Oval para ouvir a conversa com o presidente colombiano, com a condição de que seu conteúdo permanecesse em off. Ele foi acompanhado na sala pelo vice-presidente JD Vance e por Rubio, ambos saindo após o término da ligação.
Depois de falar com Petro, Trump ditou a um assessor uma postagem para sua conta de mídia social dizendo que o presidente colombiano havia ligado “para explicar a situação das drogas” saindo de laboratórios rurais de cocaína na Colômbia e que Trump o havia convidado para visitar Washington.
A ligação de Petro —que durou cerca de uma hora— pareceu dissipar qualquer ameaça imediata de ação militar dos EUA, e Trump indicou que acreditava que a decapitação do regime de Maduro havia intimidado outros líderes da região a se alinharem. Durante a longa conversa com o Times, Trump se deleitou com o sucesso da operação que invadiu o complexo fortemente fortificado em Caracas e resultou na captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Ele disse que acompanhou o treinamento das forças para a operação, até a criação de uma réplica em tamanho real do complexo em uma instalação militar em Kentucky.
O presidente disse que, à medida que a operação se desenrolava, ele estava preocupado que pudesse acabar sendo um “desastre de Jimmy Carter. Isso destruiu toda a administração dele.” Ele se referia à operação fracassada em 24 de abril de 1980 para resgatar 52 reféns americanos mantidos no Irã. Um helicóptero americano colidiu com uma aeronave no deserto, uma tragédia que assombrou o legado de Carter, mas levou à criação de forças de operações especiais muito mais disciplinadas e bem treinadas.
“Não sei se ele teria vencido a eleição”, disse Trump sobre Carter, “mas ele certamente não tinha chance depois daquele desastre.”
Ele contrastou o sucesso da captura de Maduro, em uma operação que parece ter matado cerca de 70 venezuelanos e cubanos, entre outros, com operações sob seus antecessores que deram errado.
“Você sabe que não teve um Jimmy Carter batendo helicópteros por todo lado, que não teve um desastre do Afeganistão de Biden onde eles não conseguiam fazer a manobra mais simples”, disse ele, referindo-se à retirada caótica do Afeganistão que resultou na morte de 13 militares americanos.




