Colômbia: Venezuela e atrito com Petro influenciam eleição – 10/01/2026 – Mundo

17680139516961c07f220d2_1768013951_3x2_rt.jpg


A deposição do ditador venezuelano Nicolás Maduro reverberou do outro lado da fronteira, na Colômbia, e a relação entre o presidente Gustavo Petro e o americano Donald Trump, que já era tensa, desandou meses antes das eleições deste ano.

Os colombianos vão às urnas em março, para escolher os senadores e deputados, e novamente em maio, para o primeiro turno das eleições presidenciais, com a possibilidade de um segundo turno em junho.

Há meses, Trump e Petro mantêm uma relação tensa, que resultou em crises diplomáticas e sanções dos EUA contra a Colômbia e seu presidente. Após o ataque na Venezuela, no último dia 3, as preocupações do governo colombiano aumentaram. Trump sugeriu que uma operação militar contra a Colômbia “parece uma boa ideia”. Ele também disse várias vezes a Petro para “cuidar do próprio traseiro”.

Na semana passada, enquanto era entrevistado pelo jornal The New York Times, Trump interrompeu a conversa para atender a uma ligação de Petro. Na chamada, que durou cerca de uma hora, eles discutiram a situação das drogas na Colômbia, e Trump fez um convite para que o colombiano visitasse Washington.

“O antagonismo mútuo entre Petro e Trump será um fator importante nas eleições. Petro tentará enquadrar qualquer outro nome que não apoie sua agenda como um candidato pró-Trump, enquanto os outros tentarão retratar qualquer um que apoie Petro como um candidato pró-Maduro”, avalia Sergio Guzmán, diretor e fundador da consultoria Colombia Risk Analysis.

Pela legislação do país, Petro não pode tentar um novo mandato —a reeleição é vetada desde 2015. A aposta da esquerda para a disputa, então, é o senador Iván Cepeda, que no fim do ano passado venceu as primárias da coalizão governista Pacto Histórico. Ele é um defensor dos direitos humanos e filho de um político assassinado em 1994, uma das diversas vítimas desse tipo de crime no país vizinho.

A candidatura de Cepeda ganhou tração nos últimos meses, por conta das batalhas judiciais de um desafeto seu, o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010). Em 2012, Uribe acusou o esquerdista de suposta manipulação de testemunhas. Só que, em 2018, a Suprema Corte arquivou o caso contra Cepeda por falta de provas e iniciou uma ação contra Uribe, que passou de acusador a réu. O ex-mandatário chegou a ser condenado no ano passado, mas foi absolvido meses depois.

Assim como ocorreu em 2025 em Honduras, no Chile, na Bolívia e nas eleições legislativas da Argentina, a expectativa é que Trump também aponte um favorito no pleito colombiano. Após a queda de Maduro, o advogado criminalista e candidato Abelardo de la Espriella (Defensores da Pátria) declarou que considerava a prisão do chavista “brilhante”, enquanto outros nomes da oposição preferiram reagir com cautela.

Na avaliação de Guzmán, o político de ultradireita é quem mais tenta emular Trump e tem se mostrado firme em seu apoio às ações da Casa Branca, qualificando-se como um futuro nome apoiado pelo americano nas eleições. Ainda assim, o apoio de Trump não necessariamente pode ser favorável à direita.

“Não devemos subestimar o poder do nacionalismo ou do antiamericanismo, que, digamos, está presente na América Latina de forma significativa. Na realidade, os colombianos estão profundamente interessados nos problemas que assolam nossa sociedade, como saúde, insegurança, corrupção e economia, que serão centrais”, diz Guzmán.

Três pesquisas divulgadas em novembro apontam que Cespeda lidera e deve ir para o segundo turno, com intenções de voto de 24% a 31%; em seguida, Espriella aparece com percentuais de 14% a 18%; em terceiro, o ex-governador Sergio Fajardo (Dignidade e Compromisso) teria 8%.

Os consultores ouvidos pela Folha avaliam que o assassinato do senador de oposição e pré-candidato Miguel Uribe, em atentado no ano passado, não foi capaz de gerar, apesar da comoção, um movimento de união dos partidos da direita tradicional.

Além de contrariar a vontade de Trump, a esquerda colombiana tem o desafio de contornar a baixa popularidade de Petro. Segundo um levantamento da CB Consultoria, publicado em dezembro, o argentino Javier Milei (48,3%), o boliviano recém-empossado Rodrigo Paz (47,6%) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (47,1%) eram os três líderes da América do Sul com os maiores índices de aprovação.

No outro extremo estavam o venezuelano Nicolás Maduro (24,3% de aprovação), seguido por Petro (34,9%) e pelo peruano José Jerí (37,2%).

Para o consultor político Juan Falkonerth, o governo Petro provocou desânimo até mesmo em sua base política. “Ele traiu a promessa de mudança e acabou amplificando os erros dos governos anteriores. Sua administração adotou um tom autoritário, desrespeitou a separação de Poderes, desacreditou a imprensa e a oposição e aprofundou a polarização nacional.”

Ele avalia que Trump é um ator decisivo na América Latina, mesmo quando não interfere formalmente para influenciar resultados. “Soma-se a isso o crescente descontentamento em amplos setores políticos, econômicos e sociais que buscam um retorno à direita.”



Source link

Leia Mais

Comissário propõe força militar conjunta para Europa - 11/01/2026 -

Comissário propõe força militar conjunta para Europa – 11/01/2026 – Mundo

janeiro 11, 2026

1768169184_image770x420cropped.jpg

Guterres chocado com violência contra manifestantes em protestos no Irã

janeiro 11, 2026

naom_5aeb351b4f077.webp.webp

Empresário e amigo de Filipe Luís confia em ida ao Atlético de Madrid em 27

janeiro 11, 2026

Supercopa Rei: CBF define horário de final entre Fla e

Supercopa Rei: CBF define horário de final entre Fla e Corinthians

janeiro 11, 2026

Veja também

Comissário propõe força militar conjunta para Europa - 11/01/2026 -

Comissário propõe força militar conjunta para Europa – 11/01/2026 – Mundo

janeiro 11, 2026

1768169184_image770x420cropped.jpg

Guterres chocado com violência contra manifestantes em protestos no Irã

janeiro 11, 2026

naom_5aeb351b4f077.webp.webp

Empresário e amigo de Filipe Luís confia em ida ao Atlético de Madrid em 27

janeiro 11, 2026

Supercopa Rei: CBF define horário de final entre Fla e

Supercopa Rei: CBF define horário de final entre Fla e Corinthians

janeiro 11, 2026