Morre policial preso político na Venezuela – 11/01/2026 – Mundo

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Um policial preso em dezembro, acusado de traição à pátria, morreu no sábado sob custódia do regime na Venezuela, informaram o Ministério Público, a oposição e ONGs de direitos humanos, em meio a lentas libertações de presos políticos.

A Venezuela anunciou na quinta-feira a libertação de um “número importante” de detidos, incluindo estrangeiros. No entanto, familiares e defensores de direitos humanos apontam que apenas cerca de vinte detidos por razões políticas foram soltos desde então.

O regime interino de Delcy Rodríguez defende a medida como um gesto de “convivência pacífica”. Mas a Casa Branca insiste que a medida faz parte da influência de Donald Trump sobre a Venezuela, após bombardear o país para capturar o deposto ditador Nicolás Maduro e sua esposa.

“O Comitê de Familiares pela Liberdade dos Presos Políticos denuncia a morte sob custódia do Estado de Edison José Torres Fernández, de 52 anos, ocorrida em 10 de janeiro de 2026 (…) 62 horas após o anúncio oficial de libertações”, informou a organização em mensagem no X divulgada na madrugada de domingo (11).

O Ministério Público informou na tarde de domingo que Torres Fernández “apresentou uma descompensação súbita de saúde, sendo imediatamente transferido para uma unidade de saúde, dando entrada com sinais vitais e sendo prontamente atendido pela equipe médica”.

“No entanto, sofreu um AVC seguido de parada cardíaca, que ocasionou seu falecimento” no hospital Dr. Domingo Luciani, na zona leste de Caracas, indicou o órgão em comunicado divulgado à imprensa.

Torres Fernández era funcionário da Polícia do estado de Portuguesa, a cerca de 400 quilômetros de Caracas, com mais de 20 anos de serviço, segundo o Comitê de Familiares pela Liberdade dos Presos Políticos (Clipp).

“Foi detido em 9 de dezembro de 2025 por compartilhar mensagens críticas ao regime e ao governador do estado”, acrescentou a organização que defende os direitos dos presos políticos. Segundo ela, “foram imputados a ele os crimes de traição à pátria e associação para delinquir”.

“Até o momento, não há informação oficial sobre as circunstâncias nem as causas de sua morte, nem sobre o atendimento médico que teria recebido enquanto permanecia sob custódia. Essa falta de informação e de transparência torna o Estado responsável por sua vida e integridade”, acrescentou o Clipp.

O partido opositor Primero Justicia, do líder preso Juan Pablo Guanipa, também divulgou a morte e exigiu a “libertação imediata, plena e incondicional de TODOS os presos políticos, civis e militares”.

Desde 2014, 18 presos políticos morreram sob custódia da ditadura venezuelana, segundo organizações de direitos humanos. A ONG Foro Penal registra mais de 800 detidos por motivos políticos na Venezuela.



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