A maioria dos venezuelanos quer que María Corina Machado lidere o país após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, revelou uma nova pesquisa, contradizendo a afirmação de Donald Trump de que a líder da oposição não tem apoio para governar.
A pesquisa feita pela Atlas Intel para a Bloomberg News também constatou que a operação militar não conseguiu obter apoio amplo na Venezuela devido a preocupações sobre as intenções de Washington e como o regime chavista reagirá.
Mais da metade dos venezuelanos que vivem no país (51,6%) dizem que María Corina deveria assumir o poder, em comparação com 14% que apoiam Delcy Rodríguez, que assumiu a liderança do regime neste mês após a intervenção militar de Trump, de acordo com a pesquisa publicada na quarta-feira (14).
O reconhecimento de Delcy Rodríguez, número dois de Maduro, como líder interina da Venezuela por Trump pegou de surpresa muitos opositores do regime. María Corina, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 por seus esforços para restaurar a democracia no país, é de longe a política mais popular da Venezuela, mas o presidente dos EUA lançou dúvidas sobre sua capacidade de governar.
Ela foi recebida por Trump na Casa Branca nesta quinta (15), enquanto Washington e Caracas começam a descongelar as relações diplomáticas.
Desde a operação de 3 de janeiro, Trump tem priorizado o acesso às vastas reservas de petróleo do país e indicado que o regime venezuelano está cooperando com as exigências dos EUA. Até o momento, ele evitou fornecer um cronograma para novas eleições.
A operação contra Maduro, acusado de fraudar eleições e violar direitos humanos, foi condenada por líderes regionais como uma violação do direito internacional. Ainda assim, entrevistados de toda a América Latina apoiaram sua destituição: cerca de 60% dos entrevistados aprovaram a medida, enquanto 35% a desaprovaram.
Na Venezuela, onde os moradores continuam temerosos de mais violência e repressão, a opinião está mais dividida. Menos da metade dos entrevistados (47%) apoia a operação militar, enquanto pouco mais de 25% se opõem a ela e quase 28% dizem não saber.
A pesquisa também apontou desilusão com ambos os lados da divisão política da Venezuela. Cerca de 18% dos entrevistados disseram não querer María Corina nem Delcy Rodríguez no comando do país, enquanto 17% afirmaram não saber quem desejam como presidente.
A pesquisa entrevistou 11.285 pessoas em toda a América Latina de 5 a 11 de janeiro, com margem de erro de 1 ponto percentual para mais ou para menos. Na Venezuela, 1.539 pessoas foram entrevistadas, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.




