A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, recebeu nesta quinta-feira (15) em Caracas o diretor da CIA, a agência de espionagem dos Estados Unidos, naquela que foi a visita conhecida mais importante de um funcionário americano desde que o governo Donald Trump capturou Nicolás Maduro no início do mês.
O encontro foi revelado primeiro pelo jornal The New York Times e confirmado pela agência de notícias Reuters.
Trump pediu que John Ratcliffe se reunisse com Delcy para transmitir a mensagem de que os EUA esperam uma relação de trabalho melhorada, segundo uma autoridade ouvida pela Reuters. Eles discutiram cooperação de inteligência, estabilidade econômica e, nas palavras dessa autoridade, a necessidade de garantir que a Venezuela não seja mais um refúgio seguro para adversários dos EUA, especialmente narcotraficantes.
A visita ocorreu no mesmo dia em que a líder da oposição venezuelana María Corina Machado entregou sua medalha do Prêmio Nobel da Paz a Trump na Casa Branca.
Desde o envio de tropas para capturar Maduro, Washington tem evitado dizer que a oposição deveria assumir o poder, apesar de ter afirmado anteriormente que o campo político venceu a eleição em 2024 que terminou com Maduro permanecendo no poder. Organizações internacionais acusaram o regime de fraude eleitoral.
Delcy assumiu o país interinamente depois que as Forças Armadas dos EUA capturaram Maduro e o levaram para Nova York para enfrentar acusações de tráfico de drogas.
Trump falou com Delcy por telefone na quarta-feira (14), e os dois líderes descreveram separadamente a ligação como positiva. A líder interina já disse que Washington “sequestrou” Maduro e exigiu seu retorno, mas o governo Trump tem sinalizado que ela é a escolha dos EUA para garantir estabilidade na Venezuela e permitir a volta da exploração americana do petróleo venezuelano.
A autoridade ouvida pela Reuters disse que a reunião de duas horas com Ratcliffe foi focada na construção de confiança entre os EUA e a Venezuela. Eles discutiram, por exemplo, o combate a grupos do crime organizado como o Tren de Aragua —facção citada pelo governo Trump como um grupo terrorista.




