‘Novo mundo não é um lugar confortável’, diz Merz em Davos – 22/01/2026 – Mundo

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“O novo mundo das grandes potências é baseado no poder, na força e, quando necessário, na violência. Não é um lugar confortável.” Um dia depois de Donald Trump paralisar os mercados e o planeta para logo dizer que não invadiria a Groenlândia, o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, deu sua interpretação do momento atual em Davos.

Em discurso nesta quinta-feira (22) no Fórum Econômico Mundial, Merz declarou que “uma nova era começou”, em linha com os alertas de ruptura institucional e política já feitos nesta semana na estação suíça pelo premiê canadense, Mark Carney, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Como Carney, Merz falou das “potências médias”, que estariam na fila de vítimas deste novo mundo violento logo após os pequenos Estados, que já sentem seus efeitos. Alerta dado, o conservador alemão logo em seguida reiterou que era muito cedo para a Europa se afastar dos EUA, um aliado histórico. “Apesar de toda frustração e raiva dos últimos meses, não devemos descartar tão rapidamente a parceria transatlântica.”

“Nós, europeus, nós, alemães, sabemos como é preciosa a confiança em que se baseia a Otan. Numa era de grandes potências, também os Estados Unidos dependerão dessa confiança. É a sua e a nossa decisiva vantagem competitiva.”

Mez, porém, sublinhou que os princípios dessa parceria precisavam ser mantidos, “notadamente soberania e integridade territorial”, uma evidente referência às ameaças do presidente americano de anexar ou adquirir a Groenlândia, um território autônomo que faz parte do Reino da Dinamarca.

Qualquer tipo de anexação seria “inaceitável” e novas tarifas, a última das bravatas de Trump, teria uma resposta europeia “unida, calma, ponderada e resoluta”. Merz parabenizou o presidente americano pelo recuo nas ameaças, “o caminho certo a seguir”.

“Queremos fortalecer as regras para o comércio justo e a igualdade de condições. A Europa deve ser o oposto de práticas comerciais desleais patrocinadas pelo Estado, protecionismo de recursos, proibições tecnológicas e tarifas arbitrárias”, afirmou Merz, que anunciou um pacote de recomendações para diminuir a burocracia europeia elaborado em conjunto com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

Merz ainda encontrou espaço para defender o acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul, que ganhou uma revisão jurídica na quarta-feira (21), após votação apertada no Parlamento Europeu. O encaminhamento ao Tribunal de Justiça da UE deixaria o acordo em suspenso por um prazo estimado de dois anos, a não ser que a Comissão Europeia acate a sugestão de ação unilateral feita pelo premiê logo após a votação.

“Não há alternativa se queremos maior crescimento na Europa”, disse Merz em Davos. Colocar o acordo em vigor, sem a ratificação do Parlamento e sem o parecer jurídico, é um passo factível, mas geraria um desgaste da Comissão Europeia com os parlamentares e mais um cisma político importante em uma UE já muito pressionada pela geopolítica.

Emmanuel Macron, presidente francês, é o principal opositor do acordo, visto como tábua de salvação pela Alemanha, o maior exportador da Europa e há três anos em estagnação econômica. O assunto deve permear a reunião do Conselho Europeu, que ocorre ainda nesta quinta, marcada inicialmente para discutir a situação da Groenlândia.

“Fiquem tranquilos: não seremos impedidos. O acordo com o Mercosul é justo e equilibrado”, afirmou Merz em Davos .



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