Um cessar-fogo de quatro dias entre a Síria e as forças curdas, que expirou na noite deste sábado (24), foi prorrogado por mais 15 dias, disseram ambos os lados, oferecendo um alívio em meio às crescentes tensões.
As tropas de Damasco tomaram grandes áreas do norte e do leste do país nas últimas duas semanas das Forças Democráticas Sírias, lideradas pelos curdos. A rápida sucessão de eventos fortalecer o projeto centralizador de Ahmed al-Sharaa, líder do país desde que derrubou o ditador Bashar al-Assad.
As forças de Sharaa se aproximavam dos últimos redutos das forças curdas no início desta semana, quando ele anunciou um cessar-fogo.
Foi dado o prazo de até a noite deste sábado para que o grupo depusesse as armas e apresentasse um plano para se integrar ao Exército sírio, sob o risco de renovação dos combates.
No início do sábado, um oficial sírio afirmou que as forças curdas não responderam às tentativas de diálogo de Damasco. Já o grupo acusou o regime de caminhar para uma escalada de ataques de forma “sistemática” por meio de reforços militares.
No entanto, cerca de uma hora antes da meia-noite no horário local, o Ministério da Defesa da Síria anunciou que suas forças cessariam as operações militares por mais 15 dias.
A medida foi tomada para apoiar uma operação em andamento dos EUA que transfere detentos do Estado Islâmico da Síria para o Iraque.
O grupo afirmou em um comunicado que o acordo foi alcançado por meio de mediação internacional, “enquanto o diálogo com Damasco continua”.
O novo cessar-fogo entrou em vigor às 23h(17h em Brasília), informou o ministério em um comunicado.
Os EUA têm se engajado em conversas na região para estabelecer um cessar-fogo duradouro e facilitar a integração das forças curdas, que por anos foram o principal parceiro de Washington na Síria, ao Estado liderado por seu novo aliado, Sharaa.
Altos funcionários dos EUA e da França instaram Sharaa a não enviar suas tropas para as áreas ainda controladas pelos curdos.
Os países temem que a retomada dos combates possa levar a abusos em massa contra civis curdos, disseram fontes diplomáticas à Reuters.
Forças ligadas ao regime mataram quase 1.500 pessoas da minoria alauíta e centenas de drusos em atos de violência sectária no ano passado, incluindo execuções sumárias.
Em meio à instabilidade no nordeste do país, os militares americanos têm transferido centenas de combatentes detidos do grupo Estado Islâmico de prisões sírias anteriormente administradas pelas forças curdas para o Iraque.
À medida que o prazo de sábado se aproximava, os curdos reforçaram suas posições defensivas nas cidades de Qamishli, Hasakeh e Kobane para um possível confronto, disseram fontes de segurança curdas à Reuters.
O possível confronto é o ápice das crescentes tensões ao longo do último ano.
Sharaa prometeu colocar toda a Síria sob controle estatal, incluindo as áreas controladas pelo grupo no nordeste.
Mas as autoridades curdas, que administram instituições civis e militares autônomas na região há uma década, resistem a se unir a Damasco.
As tropas sírias lançaram a ofensiva na região neste mês. Elas rapidamente capturaram duas províncias-chave de maioria árabe das forças curdas, colocando importantes campos de petróleo, barragens hidrelétricas e algumas instalações que abrigavam combatentes do Estado Islâmico e civis afiliados ao grupo sob controle do regime .




