O Exército de Israel ordenou nesta terça-feira (20) que dezenas de famílias palestinas no sul da Faixa de Gaza deixem suas casas, na que seria a primeira retirada forçada desde a assinatura do acordo de cessar-fogo, segundo relatos de moradores.
O grupo terrorista Hamas disse que os militares estão expandindo a área sob seu controle. Com o acordo de paz, Tel Aviv retirou as suas tropas para a chamada linha amarela, uma redução de sua área de controle direto ainda dentro de Gaza.
Moradores da cidade de Bani Suhaila, vizinha de Khan Yunis, no sul do território, disseram que panfletos foram lançados na segunda-feira (19) para famílias que vivem em acampamentos de tendas no bairro de Al-Reqeb.
“Mensagem urgente. A área está sob controle das Forças de Defesa de Israel. Você deve se retirar imediatamente”, diziam os panfletos, escritos em árabe, hebraico e inglês.
Durante a guerra, Israel lançou panfletos sobre áreas que posteriormente foram alvo de incursões ou bombardeios, forçando algumas famílias a se deslocarem várias vezes.
Moradores e um membro do Hamas disseram que essa foi a primeira vez que panfletos desse tipo foram lançados desde o acordo de cessar-fogo. O Exército israelense não havia respondido a um pedido de comentário feito pela Reuters.
Mahmoud, morador da região de Bani Suhaila que pediu que seu sobrenome não fosse divulgado, disse que as ordens de retirada impactaram ao menos 70 famílias, que viviam em tendas e casas na área. “Nós fugimos da área e nos realocamos para o oeste”, disse ele à Reuters por telefone, de Khan Yunis.
Ismail Al-Thawabta, diretor do escritório de imprensa do governo de Gaza, controlado pelo Hamas, afirmou que o Exército israelense expandiu a área sob seu controle no leste de Khan Yunis cinco vezes desde o cessar-fogo, forçando o deslocamento de pelo menos 9.000 pessoas.
Praticamente toda a população de mais de 2 milhões de pessoas está confinada a cerca de um terço do território de Gaza, em sua maioria em tendas improvisadas e prédios danificados, nos quais a vida foi retomada sob o controle de uma administração liderada pelos terroristas do Hamas.
Na semana passada, os EUA anunciaram o início da segunda fase de seu plano para pôr fim à guerra em Gaza, com foco na desmilitarização do Hamas, na criação de uma administração tecnocrata palestina e na reconstrução do território. Como isso será alcançado ainda não será claro.
Em paralelo, o governo de Israel demoliu edifícios da agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA) em Jerusalém Oriental nesta terça. O local já não era usado pela organização desde o início do ano passado, depois que Tel Aviv ordenou que a UNRWA encerrasse suas operações.
A agência entrou em conflito com autoridades israelenses, que a acusam de minar a segurança do país. A hostilidade se intensificou após o ataque do grupo terrorista Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, com acusações de que funcionários da UNRWA estavam envolvidos na ação.
Um porta-voz da ONU, Farhan Haq, afirmou nesta terça que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, “considera totalmente inaceitáveis as contínuas ações de escalada contra a UNRWA, que são inconsistentes com as claras obrigações de Israel perante o direito internacional”.
A ONU pede que a demolição seja interrompida e que outros locais da agência para refugiados sejam restaurados “sem demora”.
Jonathan Fowler, porta-voz da agência da ONU, disse à Reuters que agentes israelenses entraram no complexo por volta das 7h do horário local, expulsaram os seguranças e, então, trouxeram tratores para iniciar a demolição dos edifícios.
“Este é um ataque sem precedentes contra a UNRWA e suas instalações, e também constitui uma grave violação do direito internacional”, afirmou Fowler.
Alguns ex-funcionários da UNRWA disseram que os edifícios demolidos eram usados para armazenar ajuda enviada à Cisjordânia e à Faixa Gaza. A agência foi criada em dezembro de 1949 para apoiar refugiados palestinos forçados ao exílio após a criação de Israel, no ano anterior.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, o extremista Itamar Ben-Gvir, publicou um vídeo nas redes sociais em frente ao complexo enquanto um trator começava a destruí-lo. “Este é um dia histórico”, disse.




