O número de mortos nas manifestações contra o regime do Irã chegou a ao menos 5.848, segundo a organização de direitos humanos Hrana, com sede nos Estados Unidos. Desse total, 5.520 seriam de manifestantes.
De acordo com o balanço mais recente publicado neste domingo (25), ainda há 17.091 óbitos sob investigação. O total de prisões teria chegado a 41.283. A checagem independente de informações não é possível em meio a um bloqueio de internet imposto pelo regime teocrático, dificultando o envio de informações para fora do país.
A atual onda de protestos no Irã começou em 28 de dezembro. Os atos se espalharam por todas as províncias do país e se transformaram na mais séria ameaça à teocracia desde sua instalação, em 1979. Teerã respondeu com uma repressão violenta, deixando milhares de vítimas.
Na última quarta-feira (12), Teerã disse que havia suprimido com sucesso os protestos contra a teocracia que agitaram o país por semanas e reconheceu, pela primeira vez, que 3.000 pessoas morreram durante as manifestações —uma cifra bastante interior às estimativas de ONGs.
O anúncio fez parte de uma série de movimentos públicos do regime iraniano para reforçar a ideia de que os distúrbios no país foram completamente subjugados.
Segundo o boletim de Hrana, há relatos de que agentes das forças de segurança estariam pressionando profissionais de saúde dentro de hospitais. Segundo testemunhos, militares teriam entrado inclusive em unidades de terapia intensiva, realizado ameaças de prisão. Profissionais de saúde relataram ter escondido manifestantes feridos.
Ainda há relatos de prisões de médicos e paramédicos por atenderem pessoas que participaram dos atos.
Na semana passada, o chefe da polícia nacional do Irã anunciou que as pessoas que foram “enganadas” a participar das manifestações receberiam punições mais leves se se entregassem em até três dias.
“Os jovens que se envolveram involuntariamente nos protestos são considerados indivíduos que foram enganados, não soldados inimigos”, afirmou Ahmad-Reza Radan à televisão estatal na última segunda (19), acrescentando que “serão tratados com indulgência” pelo regime teocrático.
Dois dias antes, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, havia afirmado que as autoridades têm a obrigação de “quebrar a espinha dorsal dos sediciosos” e voltado a responsabilizar o presidente Donald Trump pelas mortes na repressão à recente onda de protestos.




