Taiwan anunciou nesta segunda-feira (16) que está monitorando o que classificou como “mudanças anormais” na liderança militar da China. O regime de Xi Jinping afastou o general Zhang Youxia no fim de semana após o militar ser acusado, entre outras coisas, de vazar informações sobre o programa de armas nucleares chinesas para os Estados Unidos.
O ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo, afirmou que a ilha não reduzirá seu nível de alerta enquanto a ameaça permanecer alta. “Continuaremos a monitorar de perto mudanças anormais nos altos escalões da liderança do partido e das Forças Armadas da China”, disse.
Zhang era visto como um dos aliados militares mais próximos de Xi e é um dos poucos oficiais chineses de alto escalão com experiência de combate, tendo participado do conflito fronteiriço de 1979 com o Vietnã.
Ele é segundo na linha de comando militar, atrás de Xi, como vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC). Além dele, o presidente do Estado-Maior Conjunto da CMC, Liu Zhenli, também foi afastado e está sendo investigado.
A Comissão Militar Central é o órgão supremo de comando militar do aparato estatal chinês, responsável pelo controle do Partido Comunista sobre as Forças Armadas e pela coordenação da defesa nacional.
O anúncio de investigações foi feito com poucos detalhes, além da alegação de “graves violações disciplinares”, expressão geralmente usada pelo regime como um eufemismo para corrupção.
Segundo reportagem do Wall Street Journal, Youxia está sendo investigado por formar facções políticas —ou seja, construir redes de influência que minam a unidade do partido— e abusar de sua autoridade dentro do principal órgão de decisão militar do Partido Comunista.
A acusação mais séria, porém, é a de que ele teria vazado dados técnicos essenciais sobre as armas nucleares da China para os EUA. Evidências disso vieram de Gu Jun, ex-gerente geral da China National Nuclear, empresa estatal que supervisiona os programas nucleares civis e militares do país. Ele também é alvo de investigação, sob suspeita de violação da disciplina partidária e das leis estatais.
Taiwan é uma ilha com governo autônomo e regime democrático que Pequim considera parte inalienável da China. O regime chinês realiza exercícios militares ao redor da ilha quase com frequência, no que Taipé vê como uma campanha para pressionar o governo a aceitar as reivindicações de soberania de Pequim.
Taiwan afirma que apenas o povo da ilha pode decidir seu futuro.
Além de comentar as movimentações da cúpula militar, Koo disse que estava claro que a ameaça chinesa estava se agravando, citando os exercícios militares e o aumento contínuo dos gastos de Defesa da China, e que Taiwan não pode baixar a guarda.
“Não deixaremos que a queda de qualquer pessoa nos faça reduzir nossa vigilância ou afrouxar o nível de prontidão para a guerra que devemos manter”, afirmou o ministro.




