Resgate de último refém esvazia discurso de Netanyahu – 26/01/2026 – Mundo

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O retorno dos restos mortais de Ran Gvili para Israel, anunciado nesta segunda-feira (26), é um importante marco no conflito da Faixa de Gaza. Segundo o Exército, já não há reféns israelenses no território palestino, o que priva Binyamin Netanyahu de um de seus principais argumentos públicos para manter a ofensiva.

O fim do episódio também aumenta a pressão para que o Hamas se desarme, algo a que o grupo terrorista tem resistido.

Há mais de dois anos, Netanyahu justifica, em parte, as ações de Israel em Gaza como uma maneira de garantir o retorno dos reféns capturados pelo Hamas no atentado de 7 de outubro de 2023. Tel Aviv diz que, naquele dia, morreram cerca de 1.200 israelenses, enquanto 251 foram sequestrados.

Israel revidou com uma campanha militar que matou mais de 70 mil palestinos, segundo a facção, e devastou a Faixa de Gaza. Os bombardeios destruíram escolas, universidades e hospitais nesse território palestino. Organizações internacionais, uma comissão independente da ONU e governos —incluindo o brasileiro— acusam Israel de genocídio contra o povo palestino.

Nesse meio-tempo, a situação dos sequestrados era prioridade no discurso público israelense. Falando em uma guerra entre “os filhos da luz e os filhos da escuridão”, Netanyahu afirmava que os ataques eram necessários para resgatar os reféns. A retórica convenceu parte da sociedade israelense em meio ao trauma histórico. Muitos outros protestaram, porém, dizendo que bombardear Gaza colocaria em risco os sequestrados.

Para além da questão dos reféns, Netanyahu também enquadrou a guerra como um meio de garantir a segurança de Israel contra os ataques de Gaza. O modo de fazer isso, afirmava, era destruir o Hamas por completo. Isso não levava em conta as questões estruturais que explicam o apoio popular ao Hamas, incluindo a expulsão de 700 mil palestinos com a criação do Estado de Israel em 1948.

Havia, em paralelo, razões internas para que Netanyahu apostasse na guerra. Em um Parlamento fragmentado, sua coalizão depende de partidos messiânicos de ultradireita para se sustentar. O conflito, além disso, desviava o foco das acusações de corrupção que envolvem o premiê na Justiça. Com a perspectiva do fim do conflito, o cálculo político se torna mais evidente.

Israel, pois, resgatou os reféns. É a primeira vez desde 2014 que não há nenhum sequestrado, vivo ou morto, em Gaza. O país também conseguiu enfraquecer militarmente o Hamas e estabelecer um cessar-fogo com mediação dos Estados Unidos.

A pressão também aumenta sobre o Hamas. O acordo inclui um eventual desarmamento —algo com que a facção, por enquanto, não se comprometeu.

Nas últimas semanas, o Hamas evitou falar sobre a questão. Enquanto isso, dizia que estava buscando os restos mortais dos reféns israelenses para devolvê-los. A tarefa se arrastou, segundo a liderança, porque houve dificuldade para localizar os cadáveres entre os destroços.

Essa questão fica resolvida com o retorno dos restos mortais de Gvili. O Hamas agora tem que tomar uma decisão existencial. Desarmar-se significa abandonar sua luta armada contra Israel, que os dirigentes apresentam como a liberação de seu território das mãos de um colonizador. Não se desarmar, por outro lado, pode minar o processo de cessar-fogo, arriscando, assim, a retomada dos bombardeios.

Tanto para Israel quanto para o Hamas, a margem de manobra ficou bastante mais estreita. Há menos espaço para a retórica que sustentou a guerra por tanto tempo.



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