O governo Donald Trump afastou nesta quarta-feira (28) dois agentes de imigração que balearam e mataram o enfermeiro Alex Pretti, 37, em Minneapolis no último sábado (24). A morte abalou os EUA e vem causando uma mudança de estratégia do presidente em relação à sua campanha de deportação em massa.
O DHS (Departamento de Segurança Interna) não deu mais detalhes do afastamento e não mencionou se alguma medida será tomada contra os demais agentes que participaram da ação —Pretti estava imobilizado por outros membros do CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) quando recebeu pelo menos 10 tiros, a maioria nas costas.
Em nota, o DHS disse que os dois agentes que mataram Pretti foram afastados no mesmo dia, uma informação que não havia sido divulgada até aqui e que contradiz o comandante da operação do CBP em Minneapolis, Gregory Bovino. Bovino disse que os membros do CBP foram realocados da cidade, mas não falou em afastamento.
O próprio Bovino foi demitido pelo governo Trump de seu cargo de comandante-geral do CBP na terça (27). Ele deve voltar para a posição anterior, chefiando uma unidade na Califórnia, e se aposentar em breve, segundo a imprensa americana.
O anúncio de que os agentes foram afastados foi feito em um momento em que Trump mudou de tom após pressão do Partido Democrata e até de aliados republicanos depois que integrantes de agências de imigração mataram duas pessoas em menos de um mês em Minneapolis —no último dia 7, Renee Good foi morta também a tiros por um agente do ICE, o serviço de imigração.
Nesta quarta, um relatório preliminar do DHS sobre a morte de Pretti contradisse a versão dada por integrantes do governo Trump logo após o ocorrido.
Kristi Noem, secretária de Segurança Interna e responsável pelo ICE e pelo CBP, afirmou anteriormente, repetidas vezes, que o enfermeiro abordou os agentes com uma arma “com o intuito de provocar máximo dano e massacrar”. O relatório do seu departamento, no entanto, não menciona que Pretti segurava ou apontava uma arma contra os funcionários federais.
Noem também chamou Pretti de “terrorista doméstico” pouco depois do incidente, sem que uma investigação tivesse sido iniciada.
Desde então, pedidos de que Noem sofra um impeachment e seja removida do cargo pelo Congresso cresceram entre os democratas. Parlamentares da oposição disseram que a secretária “mentiu e perdeu a confiança” do povo.




