França aprova lei que elimina ‘dever conjugal’ – 29/01/2026 – Mundo

1769694663697b65c715635_1769694663_3x2_rt.jpg


A Assembleia Nacional francesa aprovou na noite de quarta-feira (29), por unanimidade, uma lei que esclarece a ausência de qualquer obrigação de manter relações sexuais dentro do casamento, eliminando, assim, uma ambiguidade no Código Civil do país. O objetivo dos parlamentares que propuseram a mudança é prevenir o estupro dentro do casamento.

O texto, que determina o fim do “dever conjugal”, agora precisa ser examinado pelo Senado. Seus autores, os deputados Marie-Charlotte Garin, do Partido Verde, e Paul Christophe, do partido Horizontes, de direita, esperam que ele seja promulgado até o fim deste semestre.

O Código Civil francês prevê quatro deveres dos cônjuges durante o casamento: fidelidade, sustento, assistência e coabitação. Não há qualquer obrigação de manter relações sexuais. No entanto, a jurisprudência consolidada às vezes equipara a coabitação a “dormir juntos”, perpetuando a ideia de um suposto “dever conjugal”.

Em 2019, um homem obteve o divórcio alegando culpa exclusiva da esposa —a culpa ainda é relevante para determinar o rompimento definitivo de um casamento civil na França— porque ela havia cessado de manter relações sexuais com ele por vários anos. No ano seguinte, a mulher recorreu ao Tribunal de Cassação, sem sucesso, e o caso foi levado ao TEDH (Tribunal Europeu dos Direitos Humanos), que, em janeiro de 2025, condenou a França por essa questão.

“Ao permitir que tal obrigação permaneça em nossa legislação, endossamos coletivamente um sistema de dominação, um sistema de abuso do marido sobre a esposa”, declarou Marie-Charlotte Garin.

“Precisamos mudar a lei para que essa noção jamais volte a existir, nem na lei nem na mente das pessoas”, e declarar que “o casamento não pode ser uma bolha em que o consentimento para relações sexuais seja adquirido, definitivo e vitalício”, acrescentou. O texto esclarece no Código Civil que a coabitação não cria qualquer obrigação para os cônjuges de manterem relações sexuais.

Argumento utilizado para divórcio

O texto acrescenta ainda que é impossível fundamentar um divórcio na ausência ou recusa de relações sexuais, embora esse argumento ainda seja, por vezes, levantado por algumas partes durante os processos.

Citando estudos, o deputado Paul Christophe destacou ainda que um em cada quatro homens na França considera normal que uma mulher faça sexo por obrigação, e não por desejo. “É nosso dever lembrá-los de que estão enganados”, enfatizou.

O objetivo é “conscientizar os cônjuges sobre a questão da violência sexual durante a cerimônia de casamento”, sendo a leitura dos direitos fundamentais pelo cartório de registro civil um momento oportuno para esse esforço educativo, segundo os autores.

Parlamentares de esquerda tentaram, sem sucesso, remover menção à fidelidade do artigo que lista as obrigações decorrentes do casamento, argumentando que esse conceito também poderia ser interpretado como uma obrigação de relações sexuais entre os cônjuges.



Source link

Leia Mais

Em noite de Marlon Freitas, Palmeiras derrota Grêmio

Em noite de Marlon Freitas, Palmeiras derrota Grêmio

abril 3, 2026

naom_69c0e64668ab5.webp.webp

Idosa é suspeita de matar enteada com espingarda no RS

abril 3, 2026

PM aposenta tenente-coronel preso por suspeita de feminicídio em SP

PM aposenta tenente-coronel preso por suspeita de feminicídio em SP

abril 3, 2026

177516801969ceea13c9a1f_1775168019_3x2_xl.jpg

O culto à personalidade, segundo Donald Trump – 02/04/2026 – Laura Greenhalgh

abril 3, 2026

Veja também

Em noite de Marlon Freitas, Palmeiras derrota Grêmio

Em noite de Marlon Freitas, Palmeiras derrota Grêmio

abril 3, 2026

naom_69c0e64668ab5.webp.webp

Idosa é suspeita de matar enteada com espingarda no RS

abril 3, 2026

PM aposenta tenente-coronel preso por suspeita de feminicídio em SP

PM aposenta tenente-coronel preso por suspeita de feminicídio em SP

abril 3, 2026

177516801969ceea13c9a1f_1775168019_3x2_xl.jpg

O culto à personalidade, segundo Donald Trump – 02/04/2026 – Laura Greenhalgh

abril 3, 2026