O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (29) que Vladimir Putin concordou em suspender os ataques a Kiev e outras cidades ucranianas por uma semana devido à onda de frio extremo que atinge o país invadido há quase quatro anos.
O Kremlin não comentou ainda a afirmação do americano, feita durante uma reunião de seu gabinete. “Eu pedi pessoalmente ao presidente Putin para não atirar em Kiev e várias cidades por uma semana, e ele concordou”, disse Trump.
“Foi muito gentil da parte dele. Várias pessoas disseram: ‘Não desperdice a ligação, você não vai conseguir isso’. E ele o fez”, completou, sem especificar quando a conversa ocorreu. Como é praxe na sua comunicação, não houve detalhes práticos sobre a suposta pausa, ou quais outras cidades seriam poupadas.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, por sua vez disse que “esperava que o acordo fosse implementado”, e que ele havia sido discutido no encontro entre negociadores de seu país, da Rússia e dos EUA nos Emirados Árabes Unidos no fim de semana.
A Rússia intensificou sua campanha aérea contra o sistema energético da Ucrânia neste inverno, considerado o pior dos últimos anos. As temperaturas em Kiev e arredores podem se aproximar de -30 graus Celsius neste fim de semana.
Com os bombardeios com mísseis e drones, Moscou tem deixado as cidades, em especial a capital, no escuro por várias horas até o restabelecimento da energia no frio. Além disso, ataques ao sistema de gás do país também têm incapacitado a rede de aquecimento.
Com isso, Kiev montou uma rede de 1.200 abrigos aquecidos e 68 tendas espalhadas pela cidade com aquecedores e geradores para a recarga de celulares e computadores. As cenas por lá e em cidades como Kharkiv são de caos, com moradores derretendo a neve abundante para conseguir água, cujo bombeamento depende de energia.
Comparando a situação ucraniana com a de seu próprio país, Trump falou em “frio extraordinário. “Há nevascas recordes por lá também”, afirmou.
No momento do relato, Putin recebia o presidente dos Emirados, Mohamed bin Zayed al-Nahyan.
Se de fato aceitou o pedido do americano, o russo está jogando diplomaticamente em meio a uma etapa tensa de negociações acerca do fim do conflito, que são mediadas por uma equipe de Trump.
Elas ocorreram com russos e americanos à mesa pela primeira vez em Abu Dhabi, algo que irá se repetir neste domingo (1). Ao lado de Bin Zayed, afirmou que as conversas são diferentes de rodadas anteriores e que apenas encontraria Zelenski em Moscou, o que o ucraniano rejeita.
Em paralelo, o chanceler Serguei Lavrov foi mais pessimista. Disse que até aqui a proposta de Kiev para uma trégua é inaceitável para Moscou porque ela não pressupõe a resolução de todos os contenciosos, e sim seria um ponto de partida para mais negociações.




