Corrida de 8,2 mil quilômetros de Cidade do Cabo a Londres desafia estereótipos sobre migração

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Após percorrer 8,262 quilômetros, atravessar 21 países e passar um ano e meio na estrada, o corredor e ativista ugandês-britânico, Deo Kato, tornou-se a primeira pessoa a correr da Cidade do Cabo, na África do Sul, até Londres, Reino Unido.

A iniciativa serviu para chamar a atenção para o racismo e questionar narrativas negativas associadas à migração.

Percurso de ativismo

Nascido no Uganda e criado no Reino Unido, Deo começou a correr para cuidar da sua saúde.

Essa rotina se transformou gradualmente num percurso de ativismo marcado pela determinação em enfrentar desafios extremos, incluindo corridas de longa distância na Austrália, um dos países mais quentes do mundo.

Em 2020, num contexto global de reflexão sobre a injustiça racial, Deo percebeu que a corrida poderia ser mais do que um teste de resistência física. “Pensei que tinha de fazer alguma coisa. Pequena ou grande, queria usar a corrida para criar mudança e denunciar a injustiça racial.”

Essa convicção levou-o a correr dez quilômetros diários durante 381 dias consecutivos, um por cada dia do boicote aos autocarros de Montgomery, um marco do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos.

Ele contou que disse a ele próprio que “continuaria enquanto fosse possível, porque é assim que a mudança acontece.”

Deo Kato, um homem de ascendência africana, está numa rua da cidade, simbolizando sua corrida de 8.262 milhas de Cidade do Cabo para Londres para desafiar os estereótipos migratórios e promover a justiça social.

Dia após dia, Deo avançou, transformando a resistência física em uma forma de ativismo voltada para enfrentar o racismo e amplificar as conversas sobre migração e justiça.

Seguir as rotas da migração humana

A partir desse compromisso nasceu o projeto de correr de Cidade do Cabo até Londres, seguindo simbolicamente algumas das mais antigas rotas de migração da humanidade, de África para o resto do mundo.

Ao longo do percurso, o tema da deslocação forçada tornou-se central, reforçando a sua convicção de que a migração precisa de ser compreendida com maior profundidade.

A partida, junto ao monumento Long March to Freedom, na Cidade do Cabo, teve um forte significado simbólico. Para ele, “ter a comunidade sul-africana a despedir-se dele naquele local foi extremamente importante.”

Barreiras, detenções e desconfiança

A sua jornada foi marcada por terrenos exigentes, desde montanhas e desertos até reservas naturais.

Ao longo do caminho, Deo testemunhou as dificuldades enfrentadas por pessoas deslocadas devido às alterações climáticas, à pressão da economia ou a conflitos armados. Também observou como a falta de vias regulares e as restrições à mobilidade deixam as pessoas sem acesso a rotas seguras.

Deo relata que “há pessoas que acabam detidas apenas por tentarem fugir de conflitos ou por serem vistas como estrangeiras. Mesmo com documentos válidos, continuam a ser retidas”. Ele próprio enfrentou situações semelhantes.

Durante o seu percurso teve de alterar o trajeto devido a conflitos ou restrições no acesso, e foi detido apesar de ter a sua documentação válida, retratando, similarmente, a experiência de milhares de pessoas deslocadas.

As dificuldades e o escrutínio aumentavam à medida que se aproximava da Europa, afirmando que “quanto mais avançava ao longo da rota migratória, mais era visto como um migrante irregular.”

Deo Kato, um migrante nascido no Uganda e criado no Reino Unido, percorre uma rota de 8.262 milhas de Cidade do Cabo para Londres para desafiar os estereótipos migratórios e promover a igualdade racial.

Deo Kato, um imigrante nascido em Uganda e criado no Reino Unido, percorre um trajeto de 13.300 quilômetros da Cidade do Cabo a Londres para desafiar estereótipos sobre imigração e promover a igualdade racial.

Força na solidariedade

Apesar dos obstáculos, o percurso foi sustentado pelo apoio das comunidades. Ao longo do caminho, corredores locais, desconhecidos e apoiantes juntaram-se a Deo Kato, criando uma rede de solidariedade decisiva para a conclusão da jornada. O ativista afirma que “sem esse apoio comunitário, não teria conseguido completar a viagem”.

De regresso a Londres, após um ano e meio na estrada, o corredor continua a refletir sobre o significado de ter alcançado um feito inédito.

Para ele, a corrida nunca foi apenas uma prova de resistência física, mas uma forma de recuperar a narrativa da migração, enraizada na resiliência, no progresso humano e no desenvolvimento.



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