EUA: Prisão de jornalistas indica ameaça, alerta CPJ – 31/01/2026 – Mundo

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O Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenou as prisões do jornalista Don Lemon e da cineasta Georgia Fort, ocorridas respectivamente na quinta (29) e na sexta-feira (30), pela cobertura de um protesto na igreja Cities, em St. Paul, capital do estado de Minnesota.

“Este é um ataque flagrante à Primeira Emenda e à capacidade dos jornalistas de realizarem seu trabalho”, disse Jodie Ginsberg, diretora do CPJ, citando o trecho da Constituição americana que assegura a livre expressão e exercício do trabalho jornalístico.

“Como organização internacional, sabemos que o tratamento dado aos profissionais é um indicador importante da condição da democracia de um país. Essas prisões são apenas as mais recentes em uma série de ameaças crescentes à imprensa nos Estados Unidos e um ataque ao direito das pessoas à informação.”

A Associação Nacional de Jornalistas Negros dos EUA também emitiu uma declaração, assinada pelo CPJ, condenando as prisões. “Sejamos perfeitamente claros: a Primeira Emenda não é opcional, e o jornalismo não é crime. Um governo que responde ao escrutínio visando o mensageiro não está protegendo o público, está tentando intimidá-lo, e considerando incidentes recentes envolvendo agentes federais, está tentando distraí-lo”, diz a nota.

Lemon, âncora de programas da CNN de 2014 a 2022 e hoje apresentador do programa independente “The Don Lemon Show”, foi preso pelo FBI e pelo Departamento de Segurança Intena sob a acusação de obstruir a entrada da igreja e, assim, privar pessoas de direitos civis e violar uma lei que proíbe uso de força ou ameaça para impedir o acesso a locais de saúde e de culto. O jornalista foi detido em uma instalação federal no centro de Los Angeles, da qual foi liberado na tarde de sexta-feira.

Antes, na manhã de sexta, Georgia Fort foi presa e conduzida ao edifício Whipple, em Minneapolis, do qual foi liberada após passar o dia sob custódia. Em um vídeo publicado no Facebook, ela afirma que agentes federais estavam do lado de fora de sua casa, onde seus filhos estavam presentes, e afirmavam ter um mandado de prisão emitido por um grande júri contra ela.

“Como jornalista que trabalha na mídia há mais de 17 anos, saio deste tribunal federal hoje com uma pergunta: temos uma Constituição?”, disse Fort a repórteres após sua liberação da custódia federal. “Documentar o que está acontecendo em nossa comunidade não é crime”, acrescentou a cineasta premiada com um Emmy.

Como Lemon, Fort foi acusada pelo Departamento de Justiça de obstruir a entrada da igreja Cities —pertencente à Convenção Batista do Sul, a maior denominação protestante dos EUA. A punição pode envolver pena de prisão e multa.

Manifestantes que organizaram o protesto na igreja Cities afirmam que um dos pastores é funcionário do ICE, uma das agências usadas pelo governo de Donald Trump em sua estratégia migratória agressiva e alvo de críticas, particularmente após as mortes de Renée Good e Alex Pretti em Minneapolis. O ato interrompeu um culto que acontecia no dia de 18 de janeiro.

A manifestação se tornou um ponto de controvérsia no debate entre cristãos sobre como agir com relação à política da Casa Branca. Se, por um lado, cristãos foram detidos ao protestar contra as medidas, por outro, há religiosos que evitam se posicionar e contestar ações do governo de base conservadora.

Em relatório sobre os primeiros cem dias do governo Trump, o CPJ afirma que a administração federal intensificou seus ataques à liberdade de imprensa nos EUA em uma série de ações que tornaram a capacidade dos jornalistas de reportar mais precária.

“Nunca imaginamos que a erosão da liberdade de imprensa aconteceria tão rápido e de tantas maneiras. Estamos intensificando nossos esforços para enfrentar essas ameaças, aumentando nosso apoio emergencial a jornalistas nos EUA, enquanto continuamos a pressionar aqueles no governo, tanto em nível local quanto federal, a fazerem mais para cumprir sua obrigação constitucional de proteger uma imprensa livre”, afirmou Ginsberg.



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