O relógio em uma área central de Tel Aviv, que se tornou conhecida como “praça dos reféns” e um ponto de encontro para israelenses exigindo a libertação dos capturados pelo grupo terrorista Hamas em 2023, encerrou sua contagem, nesta terça-feira (27), após 844 dias.
O desligamento ocorreu após a descoberta na Faixa de Gaza do corpo do último refém restante, anunciado pelo Exército de Israel na segunda (26). Ran Gvili, 24, era um policial de folga que se recuperava de um ferimento —ele foi morto lutando contra terroristas que invadiram Israel em outubro de 2023, e seu corpo, levado para Gaza.
A mãe de Gvili, Talik, agradeceu àqueles que apoiaram a família durante os 27 meses desde o ataque de 2023. “Temos um encerramento. Rani voltou para casa como um herói israelense, realmente, um herói israelense, e somos os que têm mais orgulho dele”, disse ela a jornalistas.
Em Israel, o retorno do último refém tem sido antecipado como um momento nacional fundamental. O ataque do Hamas, o mais letal assassinato de judeus desde o Holocausto, é amplamente entendido como o evento mais traumático da história do país.
Familiares dos sequestrados passaram a pressionar o governo de Binyamin Netanyahu para uma resolução rápida em meio à guerra. A demora pela volta dos reféns se tornou um dos principais pontos de crítica a Netanyahu e mobilizou toda a sociedade israelense, que espalhou faixas da cor amarela e cartazes com fotos dos reféns por todo o país em grandes manifestações semanais.
O retorno de todos, os vivos e os mortos, também completa um aspecto central da fase inicial do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra. A segunda fase, que Washington anunciou ter começado no início deste mês, inclui a reabertura da fronteira de Rafah, em Gaza, com o Egito.
Nour Daher, um palestino de 31 anos em Gaza, disse que estava esperando a reabertura da fronteira para poder buscar tratamento médico fora do território, devastado pela guerra.
“Tenho os documentos de encaminhamento médico. Me registrei na OMS [Organização Mundial da Saúde]. Agora estou esperando que meu nome apareça nas listas deles”, disse ele. “Na última vez que verifiquei, me disseram que estavam esperando por um país disposto a aceitar meu caso.”
“Estou esperançoso que meu problema finalmente termine”, disse Daher, descrevendo episódios quase diários de palpitações severas.
Falando ao lado da cama de seu filho no Hospital Nasser em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, Yehia Rasras afirmou que mesmo medicamentos básicos estavam indisponíveis nos hospitais do território palestino, muitos deles atingidos por bombardeios israelenses. Seu filho, Ahmed, foi baleado no início deste mês —a bala alojou-se em sua cabeça e ele permanece em estado crítico.
“Desejo que meu filho receba tratamento no exterior para se recuperar, receber cuidados adequados e voltar melhor do que antes. Isso é tudo que desejo para meu filho”, disse Rasras, 50, à Reuters.
A entrega de todos os reféns vivos e mortos restantes foi um compromisso central da primeira fase do acordo, embora outros fatores do trato não tenham sido cumpridos. Não está claro como a próxima fase, que prevê a reconstrução e desmilitarização de Gaza, será implementada. O Exército israelense permanece no controle de 53% de Gaza, com o Hamas controlando o restante.
Quatro soldados israelenses e mais de 480 palestinos foram mortos em Gaza desde que o cessar-fogo entrou em vigor em outubro como parte do plano americano. Tanto Israel quanto o grupo terrorista têm repetidamente feito acusações mútuas de violações da trégua.




