Marido do lorde britânico Peter Mandelson, o brasileiro Reinaldo Ávila da Silva recebeu £10 mil (cerca de R$ 71 mil na cotação atual) do bilionário americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto em 2019, segundo reportagem do jornal britânico Financial Times.
Emails revelam que Silva recebeu várias transferências de Epstein em 2009 e 2010, com o objetivo de ajudá-lo a seguir o sonho de se tornar osteopata. Segundo registros, o dinheiro era destinado a financiar um curso na área e outras despesas relacionadas. Não foi detalhado o montante total nem o período exato em que os pagamentos ocorreram.
Os registros estão em um terceiro conjunto de arquivos do caso Jeffrey Epstein divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sexta-feira (30).
Em setembro de 2009, Silva enviou um email a Epstein pedindo £10 mil. “Transferirei o valor do seu empréstimo imediatamente”, respondeu o financista.
Em abril de 2010, o brasileiro enviou uma nova mensagem com seus dados bancários, e Epstein encaminhou o email ao seu contador solicitando o envio de US$ 13 mil (cerca de R$ 74 mil).
Antes desse pedido, o bilionário americano já havia solicitado que o contador depositasse mensalmente US$ 2.000 (cerca de R$ 11,4 mil) para Silva. Quando questionado se esse valor seria além dos US$ 13 mil, ele respondeu: “Depois de repensar, envie apenas US$ 4.000 [R$ 22,8 mil].”
Na época da troca de emails, durante o governo do então primeiro-ministro Gordon Brown (2007-2010), Mandelson foi nomeado para a Câmara dos Lordes e ocupou os cargos de secretário de negócios e vice-primeiro-ministro. Emails também indicam que a amizade de Mandelson com Epstein se estendia ao trabalho oficial do então secretário de negócios.
Em 5 de novembro de 2009, Sultan Ahmed bin Sulayem, presidente da empresa portuária DP World, enviou uma carta a Mandelson pedindo garantias ou empréstimos para financiar o projeto do porto London Gateway. Pouco antes, havia escrito a Epstein: “Caro Jeffrey, estou enviando isso para Peter nos próximos 20 minutos.”
Em maio de 2010, Epstein escreveu a Silva dizendo que se sentia “privilegiado” por poder ajudá-lo. O brasileiro respondeu agradecendo: “meu amigo”. Outro email, de outubro de 2010 e com tom bem-humorado, parece ser de Mandelson: “Você parou permanentemente a mesada do Reinaldo?! Talvez eu tenha que colocá-lo para trabalhar nas ruas.”
No ano passado, o premiê Keir Starmer nomeou Mandelson embaixador em Washington, o que seria o retorno do lorde britânico à vida pública. Em setembro, no entanto, ele foi demitido quando novos emails do caso Epstein vieram à tona, mostrando que os dois mantiveram uma relação próxima mesmo após a condenação do americano.
Mandelson chamava Epstein de “melhor amigo” e expressava seu “amor” mesmo após a determinação de prisão por prostituição de uma adolescente.
Questionado pelo Financial Times sobre os documentos, Mandelson reemitiu uma declaração antiga que não mencionava os pagamentos ao parceiro. Ele disse apenas lamentar ter acreditado em Epstein e mantido contato com ele após a condenação. “Peço desculpas inequivocamente às mulheres e meninas que sofreram”, afirmou na nota.




