Apesar de Trump, Cuba não será uma Venezuela – 31/01/2026 – Sylvia Colombo

1769740149697c1775cebf9_1769740149_3x2_rt.jpg


Cuba vai falir muito rápido.” A frase de Donald Trump recoloca a ilha no centro do radar político de Washington. Sugere a possibilidade de que o presidente tente aplicar a Cuba a mesma lógica de pressão econômica e política que aplicou à Venezuela.

A pergunta que se impõe é se esse método pode ser transplantado para a realidade cubana.

Para entender por que Cuba volta ao foco agora é preciso partir da situação concreta da ilha. A economia cubana atravessa uma crise profunda, marcada por apagões recorrentes, queda da produção, escassez de alimentos e migração em massa.

A vulnerabilidade energética é central nesse quadro. Cuba sempre dependeu de petróleo externo e durante anos contou com o fornecimento venezuelano. A deterioração estrutural da indústria petrolífera da Venezuela reduziu drasticamente esse apoio. O efeito é direto: sem combustível suficiente, colapsam o transporte, a geração elétrica e parte da produção agrícola e industrial.

Esse quadro encontra, nos EUA, um ambiente político propício à ideia de endurecimento. Há um fator interno decisivo, a pressão constante exercida por setores do eleitorado cubano-republicano na Flórida. Cuba continua sendo um tema central da política do Estado, com peso eleitoral e presença organizada no Congresso.

Daí emerge a leitura americana de que Cuba estaria “mais frágil do que nunca”. Há razões objetivas para essa percepção. A saber: o fim do subsídio soviético em 1991, o esgotamento do colchão venezuelano ao longo dos anos 2010, o colapso do turismo após a pandemia, a saída de centenas de milhares de cubanos e a deterioração dos serviços básicos.

Mas essa fragilidade é relativa e histórica. A economia cubana é estruturalmente frágil há décadas. O chamado “período especial” dos anos 1990 foi, em vários indicadores, tão ou mais severo que a crise atual. A leitura de que “agora é o limite” se repete periodicamente desde os anos 1960. Mas o fato é que não se concretiza.

Há, porém, um elemento decisivo que diferencia Cuba da Venezuela no plano político interno. Em Cuba, Trump não dispõe de uma figura comparável a Delcy Rodríguez. Na Venezuela, Delcy tornou-se peça-chave do regime. Concentra poder, negocia sanções, administra a política petrolífera e funciona como rosto externo e válvula de escape diplomática.

Em Cuba, não há personagens com essas características. O sistema é mais institucionalizado, mais fechado, menos personalista e sem uma divisão funcional equivalente. A ausência de uma “Delcy cubana” significa que a pressão externa tende a bater diretamente no núcleo do regime, sem intermediários visíveis.

A leitura do analista James Bosworth, em versão resumida, lembra que não é a primeira vez que Cuba é dada como prestes a cair. A ilha sobreviveu ao embargo iniciado nos anos 1960, à crise dos mísseis de 1962, ao colapso soviético em 1991, ao “período especial”, à morte de Fidel Castro, aos protestos de 2021 e ao endurecimento das sanções no primeiro mandato de Trump. Em vários desses momentos, a aposta externa foi a mesma: a escassez levaria ao colapso político. O colapso, porém, não ocorreu.

A tensão central se estabelece aí. De um lado, a leitura americana atual: Cuba está economicamente exaurida, com crise energética, população cansada e dependência externa reduzida. De outro, está a leitura histórica, o regime já sobreviveu a choques equivalentes e saiu ileso.

Porém, entre a aposta americana num colapso econômico e a história cubana de sobrevivência à pressão externa, permanece em aberto se Trump pode fazer com Cuba o que está tentando fazer com a Venezuela.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Source link

Leia Mais

Juiz intima chefe do ICE após mortes em Minnesota -

Juiz intima chefe do ICE após mortes em Minnesota – 27/01/2026 – Mundo

fevereiro 1, 2026

1769882641697e44119a564_1769882641_3x2_lg.jpg

Caso Epstein: imagens mostram Andrew sobre mulher deitada – 31/01/2026 – Mundo

fevereiro 1, 2026

naom_697c87a5ced1d.webp.webp

Síndico preso suspeito de morte de corretora em Goiás nega participação de filho no crime

fevereiro 1, 2026

Morre paciente do Icesp após transferência por causa de incêndio

Morre paciente do Icesp após transferência por causa de incêndio

fevereiro 1, 2026

Veja também

Juiz intima chefe do ICE após mortes em Minnesota -

Juiz intima chefe do ICE após mortes em Minnesota – 27/01/2026 – Mundo

fevereiro 1, 2026

1769882641697e44119a564_1769882641_3x2_lg.jpg

Caso Epstein: imagens mostram Andrew sobre mulher deitada – 31/01/2026 – Mundo

fevereiro 1, 2026

naom_697c87a5ced1d.webp.webp

Síndico preso suspeito de morte de corretora em Goiás nega participação de filho no crime

fevereiro 1, 2026

Morre paciente do Icesp após transferência por causa de incêndio

Morre paciente do Icesp após transferência por causa de incêndio

fevereiro 1, 2026