Liam Conejo Ramos, 5, e seu pai, Adrian Conejo Arias, voltaram neste domingo (1º) para Minneapolis, em Minnesota, após passarem 12 dias detidos pelo ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos.
Pai e filho equatorianos embarcaram em um avião em San Antonio, no Texas, um dia depois de um juiz federal ordenar a libertação dos dois de um centro de detenção familiar em Dilley, também no Texas. Segundo o advogado Marc Prokosch, que representa Arias, os dois entraram legalmente nos Estados Unidos como solicitantes de asilo.
O menino, que viralizou em uma foto usando uma mochila do Homem-Aranha e um chapéu azul durante a detenção, foi um dos quatro menores detidos por autoridades de imigração no início deste mês em um subúrbio de Minneapolis, de acordo com o distrito escolar público de Columbia Heights.
A imagem provocou indignação e críticas às táticas de imigração da administração de Donald Trump em Minnesota e em outras regiões do país.
O juiz Fred Biery, do Tribunal Federal do Oeste do Texas, condenou no sábado (31) o que chamou de uso perverso de um “poder desenfreado” e de “imposição de crueldade” e determinou a libertação de pai e filho. Na decisão, considerou inconstitucional a remoção da família equatoriana.
A apreensão ocorreu no dia 20 deste mês, quando Adrian chegava em casa após buscar o menino na pré-escola. Depois da prisão do pai, agentes do ICE teriam pedido à criança que batesse à porta da residência para verificar se havia outras pessoas no local.
Autoridades americanas afirmam que a operação tinha como objetivo a prisão do pai, que estaria em situação irregular no país. O ICE diz que Arias tentou fugir, abandonando o filho de cinco anos.
Em entrevista a jornalistas após as detenções, Prokosch negou a versão do governo Trump e afirmou que não procede a alegação de que ele e sua família estivessem em situação irregular nos Estados Unidos.
O estado de Minnesota vive um momento de tensão após o governo Trump ampliar a presença de agentes federais de imigração em uma operação de grande escala que tem provocado protestos, críticas de autoridades locais e ações judiciais.
A Folha mostrou que o medo tem se espalhado também entre brasileiros com diferentes status migratórios, que relataram estar trancados em casa para evitar chamar a atenção de agentes federais.
Os relatos incluem carros parados por horas em frente a prédios, agentes circulando pelas ruas e mensagens que se acumulam em grupos de WhatsApp com informações sobre detenções de imigrantes.
Apuração da Folha com base em dados do governo Trump aponta que ao menos 157 brasileiros menores de idade foram apreendidos por agentes de imigração nos Estados Unidos entre janeiro e outubro de 2025. Do total, 142 foram levados a centros de detenção do ICE. Entre os detidos há desde bebês nascidos em 2024 até adolescentes nascidos em 2008, com idades de 16 a 17 anos.




