Incêndios na Patagônia ameaçam árvores de até 4.000 anos – 04/02/2026 – Ambiente

Incêndios na Patagônia ameaçam árvores de até 4.000 anos -


Assim como parte da vegetação frondosa e verde se mistura com grandes trechos queimados ao se avançar pelo Parque Nacional Los Alerces, na província de Chubut, o alívio e a apreensão se mesclam nessa parte da Patagônia argentina. Para combater os incêndios mais graves em mais de duas décadas na região, os bombeiros trabalham em três frentes, e a mobilização é constante nas áreas críticas.

Na tarde desta quarta-feira (4), enquanto a Folha visitava o local, o clima no parque era mais calmo, em comparação aos últimos dias, após aguardadas pancadas de chuva na região. Embora a chuva tenha trazido um alívio temporário, ela não foi suficiente para controlar a gravidade da situação em várias partes da província.

Uma área da reserva, em especial, é foco de preocupação dos ambientalistas, conhecida como Alerzal Milenario. Ela é uma das principais atrações do parque, por abrigar exemplares de alerces (Fitzroya cupressoides) com 2.600 a 4.000 anos de idade. Lá está o “Abuelo” (avô), como foi apelidado, um dos exemplares mais velhos do mundo, com cerca de 60 metros de altura.

Até agora, a região escapou das chamas, por uma peculiaridade natural: está rodeada por uma barreira de vegetação mais úmida que a de outros pontos do parque, o que a protegeu ao longo dos anos de outros incêndios.

Com base em relatórios oficiais, as áreas com mais atividade de fogo incluem o lago Hito, Punta Mattos e baía de Toro.

Um dos desafios é evitar que, com as mudanças repentinas nos ventos, as chamas da frente mais a noroeste, próxima ao lago Hito, avancem e alcancem a região do parque onde estão as árvores mais antigas.

A previsão do tempo para os próximos dias indica vento forte, baixa umidade e altas temperaturas, que podem agravar as queimadas, levando os bombeiros a temer novos focos.

Conforme se percorre uma das entradas do parque, saindo da cidade de Esquel, o vaivém de carros diminui, e o movimento é baixo para um dia de verão. A região, que enfrenta esvaziamento desde janeiro, é conhecida pelo turismo. O mirante que oferece uma visão aberta para o lago Futalaufquen está vazio —não há turistas pelo caminho até as pinturas rupestres protegidas por uma enorme pedra.

Nos dias mais críticos, os trabalhos de combate às chamas começam por volta das 8h e vão até a meia-noite.

Luciano Machado, guarda florestal e coordenador da operação aérea, desde janeiro, lembra que os primeiros dez dias foram os mais difíceis, pelos fortes ventos e altas temperaturas. “Nos dividimos em setores, 106 pessoas em um deles, 87 em outro, 6 helicópteros e mais gente controlando as estradas.”

“A gente nunca se acostuma a um incêndio florestal. Vivi neste parque, meus filhos cresceram aqui, e tenho uma relação especial com este lugar, mas trabalhar com isso é uma decisão que tomei na juventude, e ver a dedicação dos brigadistas é o que me comove e me dá energia.”

Os funcionários da Administração de Parques Nacionais e moradores da região sempre começam a falar dos incêndios deste verão recordando o fraco inverno de 2025, quando caiu pouca neve nas montanhas —o que significa menos água nos rios e terra mais seca no restante do ano.

“Trabalho com isso há 30 anos e antes tínhamos períodos de ‘descanso’, sem tantas ocorrências de fogo, mas, desde março de 2020, isso mudou e vemos grandes incêndios na Argentina, todo ano, de milhares de hectares. Durante seis anos, as equipes de brigadistas atuaram em todo o país”, diz Ariel Amthauer, diretor de combate a incêndios florestais e emergências.

“Não é só na Argentina, algo está acontecendo a nível internacional.

Ele acrescenta que, no caso do incêndio dentro do parque nacional —há um outro, no território da província, em Cholila e Villa Lago Rivadavia—, o fogo começou após a queda de um raio e se espalhou, pelas condições do vento.

“Acredito que o pior passou aqui dentro, pelo trabalho que estamos fazendo. Mas saindo do parque, onde a vegetação muda e há menos água, no último fim de semana, o fogo avançou de forma muito violenta”, explica o diretor.

Ele lembra que, pelas características da Patagônia, serão necessárias décadas para a recuperação dos hectares consumidos pelo fogo.

“É algo que esta geração talvez não veja, mas estou convencido de que, se por um lado a natureza nos desafia, ela também é piedosa, e é preciso valorizar os homens e mulheres que se colocam na linha de frente de combate aos incêndios.”

Fora do parque, o governo de Chubut está conduzindo uma operação com cerca de 500 integrantes da brigada de combate a incêndios, utilizando recursos aéreos, máquinas pesadas e logística para proteger a população e a infraestrutura rural e turística.

Os esforços se concentram em áreas como Primera Cantera e Villa Lago Rivadavia. As equipes instalaram hidrantes e utilizam aviões anfíbios, helicópteros e outros equipamentos para lidar com a situação.

O clima não favorece a extinção do fogo, com temperatura chegando a 20°C e umidade em cerca de 45%. Até o momento, porém, não foram registradas reativações em áreas em que as chamas já foram controladas.

As equipes continuam monitorando zonas residenciais para detectar e controlar focos de incêndio. Há um plano para reposição de 150 membros da brigada ao longo da semana. A estratégia de combate combina a força humana com máquinas pesadas e aviação, mas as condições climáticas podem exigir ajustes contínuos.

Enquanto isso, pequenos comerciantes, donos de restaurantes, de campings e pequenas pousadas dentro e ao redor do parque se preocupam com a perda de visitantes.

“Temos apenas esses três meses, uma pequena janela de vinda dos turistas que vale por todo o ano, e o mês de janeiro foi perdido”, conta o administrador do camping Los Maitenes, Martín Valloggia. “Estamos preocupados com a situação do parque e damos apoio aos brigadistas, enquanto instruímos os visitantes a não fazer fogueiras e tomar cuidado, mas há muita desinformação.”

Ele pede para que os meios de comunicação deixem claro que o parque continua funcionando, e que duas de suas entradas estão abertas para visitação, com apenas um dos acessos (pela cidade de Cholila) fechado pelos incêndios.

“As pessoas veem notícias sobre o incêndio, ficam pensando que é por todo o parque e desistem de vir. Precisamos tentar salvar o restante da temporada de verão, para que isso ajude a trazer mais visitantes.”



Fonte CNN BRASIL

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